Piratas atacam Ministério da Justiça, Brisa e PT
NELSON MORAIS
O Instituto de Tecnologias de Informação na Justiça admitiu esta quinta-feira que um "novo vírus" invadiu o sistema da PJ, mas garantiu não ter sido roubada "qualquer informação". O mesmo vírus terá atacado também a Brisa e a PT.
"Os únicos efeitos desta ocorrência foram a maior lentidão e a ocasional indisponibilidade de apenas alguns sistemas, nunca tendo estado em causa a perda de qualquer informação", disse o ITIJ, na breve resposta dada ao pedido de esclarecimentos do JN. Ao ITIJ cabe a gestão e controlo de toda a área informática do Ministério da Justiça, bem como uma parte da sua vigilância, pelo que é a primeira barreira contra os piratas. O vírus entrou no sistema do Ministério, mas não terá causado danos de monta, porque foi prontamente atacado.
O mesmo novo vírus terá atacado também os sistemas da Brisa e a PT, segundo apurou o JN, mas ambas as empresas optaram pelo silêncio quando questionadas pelo nosso jornal.
Sobre a situação na Judiciária, a primeira a ser tornada pública, "há um ou outro PC que tem de ser limpo", admitiu fonte da direcção da Polícia, mas insistindo que "não houve quebra de segurança e perda de qualquer informação".
"O que aconteceu foi a entrada de um novo vírus em alguns pontos localizados do sistema, o que foi detectado de imediato, tendo sido prontamente adoptadas as medidas necessárias à eliminação dos seus efeitos", garantiu o ITIJ. O instituto, presidido por Luís Góis, não esclareceu se outras instituições do sector da Justiça foram atacadas pelo vírus, cujo nome também não revelou. Mas garantiu ser "absolutamente falso que se tenha verificado qualquer ataque intencional bem sucedido visando sistemas informáticos do Ministério da Justiça". A prova, observou fonte da PJ, foi o ataque à Brisa e à PT.
"Há vírus cujo objectivo é roubar informação", afirmou António Raposo, um quadro da Crítical Software que trabalha nas áreas da segurança e da Defesa. Sem se referir ao caso em apreço, notou que aquele tipo de vírus - mais sofisticado do que os concebidos para "destruir informação" ou "mandar sistemas abaixo"- entra num servidor e pode enviar informações que encontra nos PC ao "pirata" informático. O roubo de "passwords" é o mais conhecido.
De resto, esses vírus podem mesmo escolher, no interior de um servidor, determinados computadores, reconheceu António Raposo, embora notando tratar-se de casos "raríssimos", que exigem "profissionalismo". Segundo o engenheiro da Critical Software, empresa que concebe sistemas críticos, os vírus que roubam informação são feitos de modo a não ser notados.
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