Fátima Felgueiras vai explicar os negócios suspeitos entre o município e o clube de futebol, segundo anunciou o advogado da autarca, Artur Marques. A juíza presidente determinou que os arguidos começam a falar na próxima quinta-feira, dia em que a autarca pretende começar a falar.
Na sessão inicial de julgamento, a presidente do colectivo de juízes, Ana Neto, do círculo de Guimarães, marcou as primeiras 75 sessões, prevendo-se que estas se prolonguem pelo menos até ao Verão.
A magistrada identificou os arguidos e informou todos os intervenientes processuais que o colectivo está a tempo inteiro com este julgamento, justificando assim a marcação de três a quatro sessões por semana.
À chegada ao tribunal, Artur Marques classificou o julgamento como "a continuação de um pesadelo, que dura já há 10 anos". O advogado respondia a uma pergunta dos jornalistas, que lembraram as palavras de Fátima Felgueiras aquando da sentença sobre o processo do Saco Azul. "Um pesadelo que durou 10 anos", disse, então, a autarca. "Vão ver que vamos acordar bem dispostos", acrescentou o causídico.
Cotratos entre câmara e clube "são legais"
O defensor da arguida afirmou aos jornalistas que está esperançado de que este julgamento decorra de "forma elevada e serena", tal como aconteceu com o julgamento do chamado "saco azul". Artur Marques mostrou-se também convicto de que "este pesadelo, tal como o anterior, há-de terminar com a absolvição de Fátima Felgueiras".
Para o jurista, os contratos celebrados entre a Câmara e o clube local "eram absolutamente legais, porque são formas de apoio que fazem parte das obrigações da Câmara de Felgueiras".
Julgada por oito crimes
A autarca será julgada por oito crimes, um de abuso de poder e sete de participação económica em negócio. O julgamento, no Tribunal de Felgueiras, envolve, ainda, outros nove arguidos, entre os quais o ex-presidente do município felgueirense, Júlio Faria, acusado de cinco crimes de participação económica em negócio, e mais três ex-vereadores, Aurélio Carvalho, José Maria Sampaio e Vítor Manuel Costa, pronunciados, respectivamente, por crimes de participação económica em negócio.
A pronúncia por participação económica em negócio abrange, ainda, cinco ex-dirigentes do Futebol Clube de Felgueiras (FCF): os comerciantes Joaquim Fonseca Peixoto e José Teixeira de Queirós, o industrial Sidónio Maia Ribeiro, Manuel Ferreira de Faria, economista e Fernando Rodrigues de Lima. O julgamento tem 47 testemunhas.
O inquérito judicial envolveu a alegada prática de crimes, decorrentes dos cerca de 3,6 milhões de euros atribuídos pela Câmara ao F.C. de Felgueiras, entre 1995 e 2001.