Ricardo Salgado sem ligação ao Mensalão
SUSANA OTÃO
O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, garantiu que nunca foi contactado para financiar o Partido dos Trabalhadores do Brasil , no alegado caso "Mensalão", que abalou o Governo de Lula da Silva.
Depois de Miguel Horta e Costa, antigo presidente da PT, e de António Mexia, ex-ministro das Obras Públicas, terem negado qualquer envolvimento com o escândalo de compra de votos no Brasil, ontem, Ricardo Salgado foi também testemunhar vincando a mesma posição. "Nunca fui contactado nesse sentido", garantiu o presidente do BES, quando questionado pelo juiz Ivo Rosa se em algum momento aquele banco teria sido aliciado a financiar o Partido dos Trabalhadores, do presidente brasileiro Lula da Silva.
O banqueiro realçou, no entanto, que conhece o governante brasileiro e que já reuniu com ele em diversas ocasiões, em Portugal e no Brasil, mas sempre com o mesmo intuito. "O BES deu conta nessas reuniões das actividades que desenvolve no Brasil, quer na área financeira, através do banco de investimento, quer na área não financeira, através de projectos turísticos", explicou. O presidente do BES confirmou, ainda, que teve um encontro com Marcos Valério, o alegado "cérebro", do esquema de compra de votos. No entanto, assegurou, que apenas se encontrou com o arguido porque este lhe queria apresentar os serviços da sua empresa de publicidade, mas que nunca formalizou qualquer contrato com a referida empresa.
"Foram-nos proposto de serviços de marketing e comunicação, mas não houve mais nada", disse, para salientar : "Recomendei que Marcos Valério falasse com o meu primo, Ricardo Espírito Santo, presidente executivo do BES Brasil, não com a intenção de qualquer vantagem, mas para explicar o programa de desenvolvimento na área turística", realçou.
Segundo a acusação, no sentido das reuniões, Marcos Valério terá pedido a Roberto Jefferson - o deputado que denunciou o caso -, que convencesse um ex-presidente do Instituto de Resseguros do Brasil a transferir dinheiro para o BES. Ricardo Salgado garantiu nem conhecer o deputado, nem o assunto e ainda quis clarificar que o BES não tem qualquer ligação com o Banco Rural do Brasil, indiciado por albergar contas utilizadas no escândalo de corrupção. "Não, os únicos bancos com que o BES se relaciona no Brasil são o Banco Bradesco, o Banco do Brasil e o Banco Itaú".
O "Mensalão" rebentou no Brasil há cerca de quatro anos e é um famoso caso de corrupção no país. Vários parlamentares foram acusados de receber dinheiro público em troca do apoio político para o Governo de Lula da Silva. Os portugueses foram arrolados pela defesa dos principais arguidos e foram ouvidos na sequência do cumprimento de uma carta rogatória das autoridades judiciais brasileiras.
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