Superdragão nega ter impedido detenção
NUNO MIGUEL MAIA
O líder da claque SuperDragões garantiu, ontem, nos Juízos Criminais do Porto, não ter impedido a detenção de vendedores de bilhetes na "candonga", em 2005, antes de um jogo Portugal-Estónia, no Estádio do Dragão.
Fernando Madureira está a ser julgado - a par de mais quatro elementos - por acusação de resistência e coacção sobre funcionário, por causa de factos que rodearam uma escaramuça ocorrida a 12 de Outubro de 2005, quando agentes da PSP quiseram prender dois indivíduos que estavam a vender ingressos para um FC Porto-Benfica, quatro dias depois.
Em causa estava um crime de especulação, pois os bilhetes estavam a ser vendidos por 50 euros, mas o preço facial era de 20 euros.
"Estava a sair do café e vi muita confusão e barulho, com agentes fardados a deter quatro ou cinco pessoas. Uma delas era o Bruno, que eu conheço. Fui lá perguntar o que se passava, tentar serenar os ânimos e perguntar que procedimentos iriam ser seguidos. Disseram que o iriam levar para a esquadra", explicou o líder da claque à juíza.
Segundo a acusação, de seguida, um grupo de 20 indivíduos, não identificados e alegadamente ligados à claque, terá rodeado e empurrado os polícias, impedindo a detenção do vendedor idoso - Adriano, agora com 80 anos e conhecido por ser vendedor de adereços do F.C. Porto e revistas.
Madureira nega ter impedido a detenção e ameaçado os polícias, dizendo: "Isto não fica assim, eu faço-vos a folha". "Só perguntei se havia necessidade... E depois, na esquadra, pedi para falar com o comissário da PSP responsável pela segurança no perímetro do Estádio, a perguntar se era possível devolver os 51 contos do Adriano, que precisava de dinheiro para pagar renda, água, luz e medicamentos. Passado um ano ou depois, sou confrontado com isto. É surreal!". O julgamento prossegue no dia 18. Serão ouvidos agentes da PSP.
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