Juízes desconfiam de Ana Salgado
NUNO SILVA
Os juízes dos casos que opõem Pinto da Costa a Carolina Salgado manifestaram, ontem, segunda-feira, estranheza com a versão de Ana Salgado, que disse ter sido a irmã a infligir lesões nela própria para incriminar o presidente portista.
"A minha irmã estava na casa de banho, com as mãos no pescoço, a bater nela própria e a arranhar--se. Eu disse-lhe para parar com aquilo". A declaração de Ana Salgado, ouvida como testemunha, referia-se ao caso em que Carolina acusa o ex-companheiro Pinto da Costa, o motorista deste, Afonso Ribeiro, e um amigo, Nuno Santos, de a terem agredido, em Abril de 2006, à porta da moradia onde o casal residiu, na Madalena, Gaia.
Aquele depoimento - associado a um anterior em que Ana declarou ter sido ela vítima da violência e alegou que a irmã até tinha empurrado Pinto da Costa - suscitou um intenso interrogatório por parte do colectivo de juízes, que revelou desconfiança da referida versão dos acontecimentos. "A senhora parece um saco de pancada! Só a senhora é que levou!", frisou o juiz João Grilo Amaral. "Posso garantir-lhe que não estou a mentir e que ela fez aquilo a ela própria", reiterou a gémea de Carolina.
Ana Salgado repetiu a versão que tinha contado numa sessão anterior: ao acudir a irmã, foi pontapeada no chão por Nuno Santos, de cuja queixa acabou por desistir, e só viu Afonso agarrar Carolina, pegar numa chave e ameaçá- -la de que lhe "furava um olho".
A testemunha, grávida na altura dos factos, foi ainda confrontada pelos magistrados com o facto de ter sido o seu marido a tirar fotografias às lesões de Carolina, apesar de a primeira vir falar agora em automutilação. Ana Salgado referiu que, na altura, não contou a história ao marido por temer que tal revelação prejudicasse o casamento. "Ele não via com bons olhos o meu relacionamento com a Carolina", sustentou.
Questionada pelo juiz-presidente, Rafael Azevedo, a testemunha admitiu que Carolina exercia "ascendente" sobre ela, ao ponto de se deixar subjugar. "Sim, porque eu gostava muito dela. Mas, agora, não. Consegui libertar-me", respondeu. João Grilo voltou a intervir e perguntou mesmo se houve algum "comum acordo" entre as irmãs para encenarem tudo. "Não! É contra os meus princípios. Esse tipo de ideias não me passa pela cabeça", jurou Ana, que saiu da sala do tribunal a chorar.
Na sessão de ontem, foram também interrogados Adelino Caldeira, Antero Henrique e Reinaldo Teles, responsáveis da SAD do F.C. Porto, que salientaram a "mágoa" e a "desilusão" sentidas por Pinto da Costa quando surgiram notícias em que o dirigente era apontado como autor das agressões à ex-companheira.
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