Usou caso de criança com doença rara para burlar
Pais de Dinis detectaram esquema fraudulento e avisaram as autoridades
SUSANA OTÃO
A Polícia Judiciária identificou o indivíduo que, há mais de um mês, se fazia passar, na Internet, pelos pais de um bebé que sofre de uma doença rara. Ficou com o dinheiro dos donativos que seriam para ajudar a criança.
Um homem, de 40 anos, natural de Montemor-o-Novo, enviou centenas de mensagens electrónicas com o intuito de angariar fundos para uma campanha de solidariedade social. No entanto, o email era fraudulento e o indivíduo fiou com todo o dinheiro que alguns beneméritos se disponibilizaram a transferir.
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| Dinis tem 20 meses |
O alerta às autoridades foi dado pelos próprios pais de Dinis - um menino de 20 meses que padece de uma doença rara - que têm vindo a solicitar ajuda para suportar todos os tratamentos que a doença exige, através de uma página na internet.
O indivíduo, agora identificado pela suspeita do crime de burla, colocou em circulação centenas de mensagens de correio electrónico, com base nas informações divulgadas pelos pais da criança no seu site oficial. Nessas mensagens, o suspeito indicava, no entanto, o NIB da sua própria conta bancária, levando os destinatários das mensagens que desejavam contribuir para os tratamentos da criança em causa, realizar depósitos não na conta dos pais a favor de Dinis, mas sim na sua conta pessoal.
Os montantes conseguidos neste processo fraudulento não foram divulgados pelas autoridades, mas fonte da PJ garantiu ao JN que o suspeito não teve muito tempo para actuar devido ao facto de ter sido rapidamente interceptado.
Foi a própria mãe do Dinis que apurou a identidade do suspeito. Ao JN, contou como ficou estupefacta ao saber que alguém estava a utilizar a doença do seu filho com fins fraudulentos e resolveu agir: "Descobri quem era o dono do NIB que estava referenciado nos emails enviados por esse senhor e depois pelo nome foi fácil chegar à morada. Quando reuni os elementos, fui à Polícia Judiciária", realçou Ana Terceiro, manifestando-se agastada com toda a situação e revelando ainda que pretende levar o caso a última instância. "Essa pessoa tem de responder pelo que fez. Denegriu a nossa imagem, para além de se aproveitar de uma situação muito grave. Tem de ser responsabilizado pois utilizou o nosso nome de forma fraudulenta", salientou.
O indivíduo, que não possui antecedentes criminais, não conhecia os pais de Dinis e terá aproveitado a situação depois de ter visionado na internet a página oficial elaborada pelos progenitores da criança. Constituído arguido está ainda acusado de reprodução ilegítima de programas de computador. Na sequência da busca domiciliária, em que foi aprendido material informático, foi detectado que o seu computador continha programas não licenciados.
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