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Raptado sai do hospital contra vontade médica

Testemunha da Noite Branca não explicou sequestro em Vigo e agressões

ANTÓNIO SOARES E MARGARIDA LUZIO

A testemunha da Noite Branca sequestrada em Vigo, espancada e abandonada numa ravina, em Vidago, saiu ontem, quinta-feira, do hospital de Chaves contra a vontade dos médicos e sem explicar as razões da violência. Ainda não há detenções.

O chefe da equipa da Urgência opôs-se, mas mesmo assim J. Pires, comerciante de automóveis, 38 anos, de Gondomar, abandonou o hospital, cerca das 00.30 horas, de carro, levado por um irmão e amigos.

Ao que o JN conseguiu apurar, J. Pires tem uma costela fracturada, o braço direito partido e o corpo (incluindo o rosto) coberto de escoriações e hematomas, razão pela qual os médicos exigiram que assinasse um termo de responsabilidade.

J.Pires, tinha sido sequestrado na madrugada anterior, cerca das 04.30 horas, por quatro indivíduos que o atacaram à saída de um bar de alterne, na zona do aeroporto de Vigo, na Galiza. Depois de uma troca de tiros foi levado, juntamente com o automóvel.

Do que aconteceu a seguir sabe-se apenas que a saída do grupo da Galiza aconteceu por Tui e foi assinalada pela Polícia espanhola.

Cerca de dez horas depois, Pires foi descoberto amarrado e de olhos vendados, com sinais de tortura, numa ravina dos arredores de Vidago, a cerca de 150 metros do seu carro em chamas.

"Ele nem sequer conseguia ver. Tinha a cara toda inchada. As costas estavam todas pretas e as mãos e os pés inchados e pisados de ter estado amarrado", revelou, ao JN, fonte do Hospital, que presenciou a saída de J. Pires.

Inicialmente, um irmão da vítima tentou uma transferência para uma clínica do Porto, mas o chefe da Urgência exigiu que a clínica enviasse um fax a responsabilizar-se pelo doente, o que não aconteceu. Apesar de o médico ter avisado que o doente devia ficar em observações e que sentiria muitas dores.

Ao que o JN apurou, J. Pires não esclareceu as razões da vingança de que foi alvo, mas tudo parece apontar para um ajuste de contas, embora provavelmente não relacionado com o facto de ter testemunhado pela acusação no julgamento do grupo de Bruno "Pidá", pelo homicídio do segurança Ilídio Correia, um dos quatro ocorridos em 2007, num quadro de violência entre grupos rivais da noite do Porto.

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