Teoria de Darwin evolui 150 anos após polémicas
Homem que provou a adaptação das espécies ao meio nasceu faz hoje 200 anos
EDUARDA FERREIRA
Nasceu faz hoje dois séculos.E 2009 marca os 150 anos da sua obra maior. Nela Darwin lança luz sobre o processo que faz com que os seres vivos se tornem no que são ou deixem de existir. A ciência futura iria confirmar a sua teoria.
Darwin (1809-1882) teve o privilégio de viver no seio de uma família abastada e culta, que o quis encaminhar para a medicina ou ainda para a vida clerical. Mas se o jovem Charles aproveitou o que aprendeu sobre a vida natural no primeiro dos cursos também procurou tutores sapientes em geologia, botânica e zoologia. Muita da sua aprendizagem fez-se de curiosidade pessoal, passando o tempo no campo a observar a vida das espécies, ao ponto de o seu pai se preocupar seriamente quanto ao futuro.
A oportunidade de viajar com a expedição científica do "Beagle" iria confirmar que a experiência anterior era útil. Em cinco anos ele recolheu material científico que chegou para mais de duas décadas de estudo aturado.
Charles Darwin publicou em Novembro de 1858 a sua obra "A Origem das Espécies por Meios de Selecção Natural" já no meio de polémicas acesas. Mais viriam com os livros "A Origem do Homem e a Selecção Sexual" e "A Expressão das Emoções nos Homens e nos Animais". A sociedade vitoriana aceitava mal que alguém defendesse que o Homem e outras espécies não fossem produto acabado, mas sim fruto de adaptações sucessivas, com vista à sobrevivência e sucesso reprodutivo. Uma "descendência com modificação", era isso que Darwin tinha também deduzido a partir de fósseis. A partilha de ascendência entre o Homem e outras espécies nesse caminho evolutivo quebrava também o quadro de aceitação da narrativa bíblica à letra, com uma criatura ultimada em termos biológicos.
No seu livro de 1859, o naturalista explica que a selecção natural escrutina a cada momento todas as variações, rejeitando as prejudiciais e mantendo as vantajosas. Ao longo do tempo é isso que vai fazendo as espécies existentes.
Este caminho determinou outra conclusão: todas as espécies, desde os animais às plantas, têm em comum um mesmo antepassado e passaram por evoluções distintas, mercê da necessidade de se adaptarem. Alguns não o fizeram e são os ramos sem saída dessa árvore que Darwin desenhou, a árvore da vida, em cima da qual anotou: "Julgo que é isto".
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