A história de... Artur Pimenta, estudante
Aos 65 anos e depois de se reformar, Luís Pimenta decidiu voltar à escola. Este ano foi o caloiro mais velho do Politécnico de Viana. E com 75 anos não perdeu uma festa da Semana Académica.
Ocaloiro mais velho do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), com 75 anos, está a "tirar" Educação Social e Gerontológica, para ganhar bagagem e depois tratar de idosos. "É evidente que não estou a tirar o curso para arranjar um emprego", revelou, à Lusa, "com muito boa disposição", Artur Pimenta.
"Estou a aprender, a ganhar bagagem para um dia, quem sabe, como voluntário, contribuir para o bem-estar e para a auto-estima dos utentes dos nossos lares de idosos", acrescentou, sem antes lembrar que, em Portugal, os utentes dos lares da terceira idade são, muitas vezes, "arrumados a um canto", por falta de formação do pessoal de quem lá trabalha.
"Falta gente que os saiba ouvir, que promova actividades que os façam sentir integrados e com interesse pela vida. E, no fundo, é tudo isso que nós aprendemos neste curso", adiantou.
Na turma de Artur Pimenta, com 39 alunos, anda apenas um outro homem, de 22 anos. "Tem idade para ser meu neto. O resto é tudo mulheres. Todas igualmente muito jovens. Todos me tratam muito bem e até me elegeram, por unanimidade, delegado de turma. A idade, pelos vistos, continua a ser um posto", frisou.
Depois de ter participado na sua primeira Semana Académica, Artur Pimenta contou ter entrado nas muitas iniciativas programadas. "Já fui baptizado no chafariz da Praça da República com o penico da praxe, já estive num concerto em Ponte de Lima até às quatro da manhã e entrei no cortejo", garantiu.
Na sua infância, Artur Pimenta estudou apenas até ao 2.º ano, equivalente ao actual 6.º ano. Começou a trabalhar aos 13 anos num escritório e, depois, dedicou toda a vida a duas empresas do ramo da electrónica e instalações eléctricas. "Aos 65 anos reformei-me e pensei: e agora, que vou eu fazer? Vou passar os dias no café? Como moro frente a uma escola secundária, via sempre os alunos a entrar e sair das aulas. E aquilo mexeu comigo. Fui estudar de novo. Ano a ano, completei o 12.º, depois fiz o exame de acesso à universidade. Ainda lá andei. No ano passado decidi pedir transferência para o IPVC", afirmou.
História, Literatura e Biologia são as suas cadeiras favoritas, enquanto que as que lhe dão "mais dores de cabeça" são Psicologia e Desenvolvimento do Idoso (PDI) e Métodos e Técnicas de Investigação (MTI). "Mas com força de vontade e com a ajuda de todos, hei-de conseguir levar a água ao meu moinho", salientou.