Voluntariado ao som do "Cheira a Lisboa"
NUNO MIGUEL ROPIO
Qual o melhor programa para passar um domingo em família? Fátima Lopes optou por uma tarde nas instalações do Banco Alimentar, em Alcântara, Lisboa. Aquela empresária da Amadora trocou um dia festivo de aniversário de Diogo Lopes, o filho de 11 anos que a acompanhou, pela separação de pacotes de massa, leite e arroz, numa das bancas montadas num dos vários armazéns que constituem o complexo.
"Inscrevi-me no Natal e agora chamaram-me. É um ambiente fantástico e como se sabe que se está a ajudar alguém não se sente o cansaço", disse Fátima Lopes que se juntou a outros dois mil voluntários, só no banco de Lisboa. "Não consegui convencer umas amigas a vir", admitiu, enquanto se ouvia como som de fundo um "Cheira a Lisboa", debitado por uma rádio interna, a cargo de alunos da Universidade Autónoma de Lisboa.
Ali, voluntários dos 8 aos 81 anos descarregam os sacos - que chegam nas carrinhas que recolheram os donativos nos supermercados -, separam os produtos pelas suas características e embalam em caixas e paletas, já prontas a serem distribuídas pelos mais carenciados. Um cenário de autêntica entre-ajuda, que arrasta consigo uma enorme gestão de meios humanos e técnicos, que levam dois meses a preparar.
"Não troco esta experiência por nada. Apesar de ter saído daqui,ontem, com um cansaço físico tão grande que, hoje, só consegui vir depois da hora do almoço", admitiu Claudia Brito, acompanhada por dois amigos que colaboraram pela primeira vez.
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