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Linhares Furtado foi o médico responsável pelo primeiro transplante

JOÃO PEDRO CAMPOS

Linhares Furtado foi o responsável pelo primeiro transplante em Portugal, a 20 de Julho de 1969. Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra, trabalhou 44 anos no Hospital da cidade, 36 deles como director dos Serviços de Urologia, tendo-se reformado em 2003. Em 1980, fez o primeiro transplante renal retirado de um cadáver em Portugal. O seu filho, Emanuel, é especialista em transplantes hepáticos pediátricos.

 
foto HENRIQUES DA CUNHA/JN
Linhares Furtado foi o médico responsável pelo primeiro transplante
Médico Linhares Furtado
 

Que lembranças tem do primeiro transplante, há 40 anos?

Muitas, sobretudo da longa preparação que foi necessário realizar e dos obstáculos que foi necessário ultrapassar.

Quais foram?

Dificuldades de instalações, a preparação de toda a equipa, que foi longa e representou um trabalho conjunto em que havia grande entusiasmo e dedicação, a preparação do doente e da dadora. Mas a intervenção decorreu muitíssimo bem.

Tem ideia de quanto tempo durou?

A ideia exacta não, mas creio que foi cerca de três horas. Havia pequenos pormenores técnicos que eram diferentes dos de hoje, mas correu tudo bem. As condições é que eram más, porque nem sequer havia ar condicionado e foi um dia de muito calor. O pós-operatório teve apenas uma complicação, aos 15 dias, que foi bem resolvida, e ao 30.º dia veio a complicação inesperada, resultante de uma injecção de uma substância imuno-supressora, que criou um quadro gravíssimo no doente.

Como se resolveu?

Tivemos de suspender a imuno-supressão (terapêuticas contra a rejeição), e perdeu-se o rim, embora o doente tenha sido salvo. Não havia na altura possibilidades de recolher órgãos de cadáver, senão nem sequer teríamos feito transplante com dador vivo.

Que importância acha que teve para a Medicina em Portugal?

Foi um impulso grande, sobretudo nos HUC, porque tivemos de ensaiar as diversas formas de diálise que não existiam. A nível nacional despertou o interesse em vários outros hospitais e começou a sensibilizar a opinião pública para este progresso. Muitos doentes mantinham-se em diálise na orla periférica em Espanha, os que podiam iam transplantar-se ao estrangeiro. Era uma situação muito difícil para os doentes renais portugueses.

De que forma as técnicas evoluíram nos últimos 40 anos?

Do transplante de rim já estava praticamente estabelecida em 1980. Do ponto de vista médico, na imunosupressão, houve progressos enormes, não só no rim mas nos outros órgãos.

Um doente transplantado pode fazer uma vida normal?

A transplantação tem essa grande vantagem. Quando é bem sucedida - e é-o numa grande percentagem de casos - permite uma saúde muito diferente e uma vida quase normal.

Quanto tempo viveu o doente de 1969? E a dadora?

O doente viveu pouco tempo, por causa de uma injecção. A dadora faleceu de outra complicação que não teve nada a ver com o rim. Aliás a sobrevida dos dadores de órgãos é muitíssimo boa. São pessoas que passam a ser seguidas medicamente e não tem havido qualquer efeito nocivo da doação do rim.

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Comentários
1 Comentário

 
 
     
 
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20.07.2009
10:19
Portugal
Uma saudaçao ao Dr Linhares Furtado e a todos os que apostam no conhecimento e inovaçao e assim nos fazem progredir

 
 
 


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