Um morto, seis feridos e 17 viaturas destruídas
Causas do rebentamento na zona industrial da Varziela ainda por esclarecer
manuel vitorino e ana trocado marques
Um cenário de destruição, carros desfeitos, pânico e muitas chamas foi o que se viveu ontem na zona industrial da Varziela, em Vila do Conde. Uma explosão de causas indeterminadas fez um morto e seis feridos, um deles grave.
Dezenas de armazéns, ruas estreitas pejadas de carros, inúmeros trabalhadores a sair dos empregos na zona industrial da Varziela, em Mindelo, Vila do Conde, quando, às 18.40 horas, uma violenta explosão mandou pelos ares pedaços de bidões de óleo, restos de aço e ferro. "Foi o inferno!", diz quem ouviu e teve pernas para fugir da Rua da Rotunda, epicentro da catástrofe, onde durante horas arderam os armazéns da empresa Codisa, do grupo europeu SafetyKleen, firma especializada em sistemas de lavagens de peças e recolha de resíduos perigosos (ler ficha).
"Foi um estrondo incrível. Andei na guerra de África e nunca tinha sentido nada igual. Só tive tempo de fugir e refugiar-me dentro de um café. E telefonar para os bombeiros a contar a tragédia", disse, ao JN, Vítor Andrade, trabalhador de uma empresa situada na Varziela.
Corpo carbonizado
Na porta de acesso à Codisa, ficaram dois camiões destruídos pelo fogo e, num deles, os bombeiros descobriram um corpo carbonizado. Tratava-se de Albino Gomes, de 47 anos, motorista de um camião carregado de bidões de óleo usado que fazia uma trasfega. Suspeita-se que a origem da tragédia poderá estar nessa operação, mas as causas do acidente serão, agora, averiguadas. O rebentamento feriu ainda seis pessoas, uma delas ficou com queimaduras em 90 % do corpo e está internada no Hospital de Pedro Hispano, em Matosinhos.
Um dos feridos não será funcionário da empresa, mas alguém que passava no local e não foi possível identificar até ao fecho desta edição. O corpo carbonizado de Albino Gomes ficou várias horas no chão , enquanto os bombeiros de Vila do Conde - amparados pelas corporações da Póvoa, Leixões, Moreira da Maia, S. Mamede de Infesta e Matosinhos/Leça - tentaram, com êxito, impedir que as chamas atingissem os sete silos com 30 mil litros de óleos da empresa que ocupa três armazéns na zona industrial.
No combate às chamas, estiveram 150 bombeiros e 54 veículos de 18 entidades, incluindo o INEM. Depois da primeira explosão, várias outras se ouviram. Sirenes e vozes de pânico misturavam-se, ontem à tarde, no local. "Ouvimos uma explosão e começou logo tudo a arder", explicou, ao JN, ainda em choque, um dos funcionários da empresa, que conseguiu fugir, já com a camisa em chamas.
Na empresa, trabalham cerca de 30 pessoas, mas na altura da explosão as instalações estavam já fechadas e estariam no edifício dez a 15 pessoas. A hipótese de haver outros trabalhadores dentro da fábrica foi descartada ao início da noite pelos bombeiros.
O governador civil do Porto e o presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde estiveram no local. À hora do fecho desta edição, o incêndio estava controlado, mas os bombeiros contavam com trabalho de rescaldo pela madrugada dentro.
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