Público e privado não se distinguem
HELENA TEIXEIRA DA SILVA
Na área dos cuidados continuados, pouco distingue o sector público do privado. "As diferenças não são significativas", garante Isabel Oliveira, da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, a primeira a auditar as unidades.
"As dificuldades são transversais, tal como as qualidades", afirmou, ao JN, a vogal do Conselho Directivo da ARS, depois de ontem ter sido apresentado, no Hospital Magalhães Lemos, no Porto, o resultado da avaliação externa de que foram alvo as 57 unidades de internamento do Norte, que fazem parte do Programa de Melhoria Contínua da Rede de Cuidados Continuados Integrados.
De acordo com os parâmetros de qualidade estabelecidos, tanto na prestação de cuidados de saúde e reabilitação, como ao nível da organização e funcionamento, a totalidade das unidades avaliadas obteve, em média, uma taxa de cumprimento quase sempre acima dos 80%. Mas nos pontos fracos, a pontuação foi negativa (43,6%) em relação à garantia de qualidade, como seja na ausência de simulacros em situação de emergência ou na falta de informação sobre infecções detectadas após a alta hospitalar. A pontuação foi também relativamente baixa (68,8%) no que diz respeito ao plano individual de intervenção, ou seja, os profissionais desempenham funções junto do paciente e respectiva família, mas não as registam. Não se trata de mera deficiência burocrática, faz questão de esclarecer Isabel Oliveira.
"Quando estamos a falar da falta de evidência escrita de determinados procedimentos, não podemos dizer que estamos num nível burocrático", nota. "Os registos escritos são sempre uma questão muito crítica, porque temos uma cultura avessa a comentar aquilo que fazemos. Mas o registo é um dos critérios da qualidade do serviço. E nisso falhamos". É outro problema "transversal".
Apesar de as diferenças entre o sector público e privado não serem substanciais, as instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) registam uma ligeira vantagem no domínio da melhoria dos procedimentos. "Estão um bocadinho mais bem posicionadas", reconhece Isabel Oliveira. "Mas decorre do facto de serem estruturas com outro tipo de tradição e não de ter havido um investimento específico naquela área."
O ranking das unidades não foi divulgado nem vai ser conhecido pelos pares, porque "não seria ético divulgar publicamente o posicionamento", esclareceu Isabel Oliveira. As unidades e a ARS vão proceder agora à análise individual e dentro de seis meses, proceder-se-á à segunda fase da avaliação.
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