O Governo espanhol aprovou um transvase especial de 20 hectómetros cúbicos, através do aqueduto Tajo-Segura, como medida "urgente" para salvar o parque natural de Tablas de Daimiel. Os ambientalistas protestam.
A decisão foi aprovada ontem em Conselho de Ministros e insere-se num pacote de iniciativas aprovadas com cariz de urgência para responder à grave situação do parque, onde desde Agosto alastram fogos subterrâneos.
María Teresa Fernández de la Vega, vice-presidente do Governo espanhol, disse aos jornalistas que com estas medidas o Governo quer continuar a trabalhar para recuperar o ecossistema das Tablas "cujo salvamento continua a estar seriamente comprometido".
Além do transvase, o Governo aprovou ainda um pacote financeiro de 19 milhões de euros para intervenções no próprio parque.
O parque nacional, reserva da Biodiversidade, está numa situação de grave risco, com seca profunda agravada pelos incêndios, o que levou o Governo a aprovar este transvase, que espera seja mais eficaz na canalização de água para a zona.
Apesar da situação, várias organizações ambientalistas - SEO/Birdlife, Ecologistas em Acção, WWF e Greenpeace - criticaram recentemente as medidas propostas, rejeitando de forma "total" o transvase do Tejo.
Ontem mesmo, a Quercus lamentou que o Governo espanhol tenha aprovado mais um transvase do rio Tejo, alegando que a água que chega a Portugal é cada vez de menor qualidade e quantidade.
"Vai ter impactos em Portugal porque implica redução da água que nos chega e é ainda mais grave porque o INAG já assumiu que Espanha não tem cumprido o compromisso da Convenção de Albufeira sobre o caudal mínimo indispensável ao bom funcionamento dos rios", disse a dirigente da Quercus Carla Graça.
Carla Graça considera, tal como os ambientalistas espanhóis, que haveria outras soluções, nomeadamente na bacia do Guadiana.
Também os responsáveis do movimento proTejo - associação que conta com a adesão de meio milhar de cidadãos e de 21 organizações portuguesas e espanholas - estão "completamente contra" o transvase especial de 20 hectómetros cúbicos.
Pelo contrário, o presidente do Instituto Nacional da Água, Orlando Borges, garante que o transvase do rio Tejo não tem qualquer implicação em Portugal, "pela simples razão de que a água é retirada de um desvio que já está efectuado, desvio esse retirado do Tejo para o Rio Segura".
"São situações que estão previstas", afiançou Orlando Borges, acrescentando que o Convénio Luso-Espanhol permite que nessa transferência de água se retirem mil milhões de metros cúbicos.