A Direcção-Regional de Educação do Norte pediu a intervenção da Inspecção-Geral de Educação para tirar a limpo o que aconteceu há uma semana.
Entretanto, as versões recolhidas no inquérito judicial, que deve estar pronto na próxima semana, negam o "bullying".
É inconclusivo o relatório que a Escola Luciano Cordeiro entregou, ontem, ao director Regional de Educação do Norte sobre os acontecimentos registados na manhã do dia 2 de Março, dia do desaparecimento do Leandro, que se atirou ao rio por alegadamente ser vítima de agressões físicas e psicológicas por parte de colegas.
António Leite esteve várias horas reunido com representantes da Comissão de Protecção de Menores, do Agrupamento da escola, da Associação de Pais e da PSP, e considerou ser necessária a intervenção da Inspecção-Geral de Educação. "O inquérito realizado pela escola foi analisado, mas consideramos que ele necessita de desenvolvimentos em vários aspectos". Por isso, "a Inspecção-Geral de Educação desenvolverá um novo patamar neste inquérito para podermos tirar a limpo todas as situações que aqui ocorreram para se poder actuar em conformidade" refere António Leite.
"Há pessoas que ainda necessitam de ser ouvidas e o grau de abrangência do inquérito precisa de ser mais alargado", explicou. O responsável da DREN salienta que ainda é preciso apurar como foi possível a criança ter saído da escola. "Essa é uma das preocupações, é saber exactamente como é que esta criança saiu. Até para evitar situações semelhantes no futuro", refere.
No entanto, sublinha que "um inquérito é feito para chegar a conclusões e não para provar conclusões previamente estabelecidas", afirma António Leite, que se escusa a avançar com qualquer data limite para a conclusão deste inquérito, mas espera que seja breve.
Durante a manhã de ontem, o director da DREN, os restantes elementos que participaram nesta reunião, professores, alunos e auxiliares da escola guardaram um minuto de silêncio em homenagem a Leandro, uma semana depois do seu desaparecimento.
Esta escola tem cerca de 500 alunos do 5º ao 9º ano de escolaridade e ainda três turmas dos Cursos de Educação e Formação e uma turma do Programa Integrado de Educação e Formação
Afastada tese de bullying
Este caso despoletou também a abertura de um inquérito judicial, que o Ministério Público delegou na PSP local. Segundo foi possível apurar, já terão sido ouvidas cerca de duas dezenas de pessoas (alunos, professores e familiares) que deixam entender que não se trata de um caso de "bullying", apesar de confirmarem alguns episódios de agressões que envolvem a criança desaparecida.
Segundo a fonte, o Leandro era "muito irreverente e reguila" chegando mesmo a iniciar alguns desacatos com outros colegas. No dia em que aconteceram os factos, o menino de 12 anos desentendeu-se com um outro aluno que depois terá chamado uma prima e o namorado desta, que terão ameaçado o Leandro, durante a hora de almoço. Depois disso, a vítima desatou a correr dizendo que ia atirar-se ao rio.
Entretanto, subsiste a dúvida sobre se terá sido suicídio, ou se a criança não terá medido bem as consequências do seu acto. Isto porque, antes de saltar ainda teve o discernimento de tirar a roupa.
O processo só deve estar pronto a ser entregue ao Procurador do Ministério Público, no início da próxima semana