Mundo progrediu, mas grande parte da humanidade ainda tem condições precárias de higiene
O abastecimento de água potável conheceu algum progresso nos últimos anos, mas a cobertura em saneamento básico ainda não chega a 2,6 mil milhões de pessoas. Muito mais tem de ser feito neste campo, alertam a Organização Mundial de Saúde e a UNICEF.
Se os países não acelerarem o atraso na cobertura de serviços de saneamento, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, traçados para 2015, não serão cumpridos. Ao ritmo seguido até agora, por esse ano continuarão sem instalações sanitárias cerca de mil milhões de pessoas. O alerta é lançado pelo relatório intercalar da OMS e da UNICEF, com base em dados de 209 países até 2008. No domínio do saneamento, as populações mais desprovidas são as do Sul da Ásia e muito em particular as da África sub-sariana. Ao todo, há 2,6 mil milhões de pessoas sem instalações sanitárias e cerca de 750 milhões partilham-nas com outras famílias ou então recorrem a equipamentos públicos. Ainda que o recurso à "casa de banho ao ar livre" tenha decrescido muito, ainda há cerca de um sexto da humanidade a defecar nessas condições.
Esta realidade, que põe em causa a saúde das populações, tem maior impacto nas zonas rurais. A nível mundial, apenas 45% desses agregados têm instalações sanitárias e/ou saneamento. Já nas zonas urbanas, o alargamento da cobertura tem vindo a ser praticamente anulado pelo crescimento descontrolado de cidades devido a migrações.
Fontes potáveis
O fornecimento de água potável, mesmo que muitas vezes seja comunitário está desde o ano 2000 assegurado a 96% dos habitantes das áreas urbanas, mas tal não chega para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Isto apesar de aquela cifra representar uma conquista para mais mil milhões de pessoas desde 1990.
Traduzidos os números para as realidades pessoais, há agora 884 milhões de pessoas sem acesso directo e fiável a uma fonte de água potável. As zonas rurais são também as mais afectadas, quintuplicando essa carência face aos habitantes citadinos.
De todas as pessoas no mundo sem acesso a água potável, 37% vivem na África sub-sariana. O relatório das duas organizações da ONU lembra as circunstâncias dessa carência: o transporte diário deste bem essencial à vida é feito quase sempre por crianças ou adolescentes, por norma pelas meninas, sendo uma tarefa que envolve o transporte de carga e o dispêndio de pelo menos meia hora.
O progresso que vem sendo registado quer no fornecimento de água potável, quer nas condições de saneamento foi mais expressivo em países como a China e a Índia. As melhorias foram também assinaladas nos países do Norte de África e Sudoeste asiático.
Os índices relativos a Portugal não estão totalmente em consonância com os números oficialmente divulgados nos últimos anos. Assim, é dada para 2008 uma cobertura total na rede de saneamento. Para o mesmo ano, é referida uma cobertura de 99% no fornecimento de água potável às populações urbanas e de 100% às populações rurais. Tais taxas poderão englobar sistemas privados, no entanto, os números da Entidade Reguladora dos sectores de água e saneamento referem uma cobertura nacional de apenas 92% através de sistemas públicos de abastecimento de água. A cobertura em saneamento era de 78% para o ano em referência que a OMS e a UNICEF utilizaram.