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Depois do e-mail, eis o Google Wave

Cem mil pessoas de todo o Mundo foram convidadas a testar o novo programa.

Quatro décadas após o envio da primeira mensagem electrónica, o Google Wave, geralmente designado como o e-mail do futuro, é, segundo uma responsável do projecto, "muito mais" do que um sistema de correio electrónico.

Kasia Chmielinski explicou, à Lusa, que "o Google Wave é um produto, uma plataforma e um protocolo", combinando "documentos e conversação" e permitindo que "as pessoas comuniquem e trabalhem de forma colaborativa com 'richly formatted text' [formatação de texto avançada], fotografias, vídeos, mapas e muito mais".

"No Google Wave podemos criar uma onda (wave) e adicionar-lhe pessoas. Todos os utilizadores dessa onda poderão usar o 'richly formatted text', fotografias, 'gadgets', entre outras opções provenientes de fontes da Internet. Poderão ainda inserir comentários ou editar directamente a onda", esclareceu a responsável.

Quem aderir ao Google Wave vai poder visualizar no ecrã do computador, de forma quase instantânea, tudo o que as pessoas convidadas estão a escrever na onda.

Sublinhando que "o Google Wave está preparado para trocas de informação rápidas" e para trocas de conteúdos "de forma consistente", Kasia Chmielinski indicou ainda que os utilizadores poderão "retroceder na onda e verificar como é que esta foi evoluindo no tempo" ou colocá-la num blog ou website "em que o seu conteúdo é actualizado automaticamente à medida que a onda vai sofrendo alterações".

Questionada sobre qual o objectivo de agregar tantos serviços numa única plataforma, a responsável do projecto garantiu que o Wave é o mais recente investimento de um trabalho progressivo que já deu outros frutos - caso do Gmail, Google Docs, Google Talk ou Google Voice -, e não visa abafar ou extinguir outras ferramentas digitais.

"A tendência dos utilizadores não é para substituir os formatos de comunicação existentes mas para os complementar. Os blogs não substituíram as páginas de Internet, tal como as mensagens instantâneas não substituíram o e-mail", assinalou Kasia Chmielinski.

Ainda segundo a responsável, o facto de o Google Wave disponibilizar tantos serviços não obriga ao usufruto de todos, dado ser possível "utilizar a plataforma de um modo simples (apenas para conversar, por exemplo) ou mais complexa (partilha de documentos com vídeo, mapas, exportação da onda para páginas externas, etc)".

O Google Wave, idealizado pelos irmãos dinamarqueses Jens e Lars Rasmussen, mentores do Google Maps, foi apresentado a um grupo de programadores na conferência Google I/O, realizada a 28 de Maio, nos Estados Unidos,  e, no início deste mês, 100 mil pessoas em todo o mundo obtiveram convites para testar a novidade.

"Convidámos diversos utilizadores a experimentar e a criar aplicações para a plataforma. Neste momento, o Google Wave não é um produto acabado e esperamos que utilizadores e programadores possam ajudar-nos a criar uma plataforma melhor e mais desenvolvida", declarou Kasia Chmielinski.

A equipa está agora a trabalhar para alargar a disponibilização do Google Wave a nível global, acrescentar-lhe novas funcionalidades - ainda não disponíveis na actual versão - e incluir novos idiomas no início de 2010.

Só então poderão aderir livremente ao Google Wave todos os que estiverem na mesma onda.

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