Operários da Rodhe só têm emprego garantido até ao final de Agosto
SALOMÃO RODRIGUES
"Sentimos um balde de água fria". É desta forma que uma das trabalhadoras da fábrica de calçado Rohde, na Feira, descreve a notícia avançada pela administração da empresa, na tarde de ontem, dando conta do desinteresse do único investidor conhecido na possível aquisição da fábrica. Os 986 postos de trabalho estão garantidos até ao final de Agosto.
O investidor, que é proprietário da casa-mãe da Rohde, na Alemanha, era a grande esperança para os trabalhadores, depois do conturbado processo de insolvência iniciado em Março de 2007. O contrato de opção para a compra da filial de Portugal estipulava que fosse dada uma resposta até ao final do passado mês de Junho.
Ontem, os trabalhadores foram informados que este grupo não estava interessado. Uma preocupação acrescida prende-se com o facto de este investidor ser responsável por cerca de 80% das encomendas que actualmente chegam à unidade da Feira.
As notícias foram recebidas com frustração, mas fonte da empresa, contactada pelo JN, afirma que não há motivo para "entrar em alarmismos". "Estamos a trabalhar e temos muitas encomendas que nos garantem o pagamento de salários até Agosto e subsídios de férias" explicou.
A mesma fonte adianta que, enquanto houver trabalho, "vamos continuar com a mesma determinação e profissionalismo que nos possibilitou estar em funcionamento, mesmo depois do processo de insolvência". "Continua tudo na mesma e estamos esperançados que surjam novos interessados na aquisição da empresa", referiu um dos quadros superiores da Rohde, acrescentando que não é, por enquanto, previsível um corte das encomendas por parte do grupo que adquiriu a Rohde alemã.
Na reunião com os trabalhadores, foi realçado e agradecido o "empenho" e os "sacrifícios" que estes demonstraram ao longo dos últimos meses. A Rohde saldou as suas dívidas para com os fornecedores e não tem salários em atraso.
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