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População só cresce na capital de distrito

LUÍS MARTINS

Guarda é o único concelho do distrito cuja população tem vindo a crescer desde 1991. Todos os restantes municípios perderam habitantes, sendo Almeida o caso mais preocupante, com uma quebra de 16,9%.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), esta análise sobre a população nos municípios, entre 1991 e 2008, tem em conta dois períodos temporais distintos. No primeiro, de 1991 a 2000, a sede do distrito apresenta o melhor registo, com uma subida de 12,1 por cento dos seus habitantes, um número que a coloca mesmo à frente de Viseu e Castelo Branco, com 10,2 e 1,2 por cento, respectivamente. Mas a Guarda é caso único, pois todos os outros apresentam saldos negativos. Celorico da Beira (-1,4 por cento) é o "mais bem" colocado nesta lista da desertificação e está muito à frente de Vila Noa de Foz Côa (-5,4), Trancoso (-6,5), Aguiar da Beira (-8), Seia e Gouveia (ambos com -8,3) e Manteigas (-9,4).

Em "maus lencóis" estão Fornos de Algodres (-10,9 por cento), Figueira de Castelo Rodrigo (-12,2), Sabugal (-12,9), Pinhel (-14,1), Mêda (-16,6) e Almeida (-16,9).

Este cenário de despovoamento crescente à volta da Guarda é reforçado na análise do período compreendido entre 1991 e 2008. O concelho da cidade mais alta regista um crescimento de 14,7 por cento da sua população, sendo que os restantes pioraram as suas contas. Aguiar da Beira terá sido o município menos afectado, pois passou de -8 por cento em 2000 para -8,3 no ano passado. Já Celorico da Beira subiu para -3,3 por cento, enquanto Seia e Gouveia ultrapassaram os -11 por cento e Trancoso registou -9,9 por cento de população.

A partir daqui, as diferenças são ainda mais acentuadas. Vila Nova de Foz Côa, por exemplo, duplicou o seu registo, com -10,8 por cento. Também Manteigas quase duplicou, passando para -18,1 por cento, ao passo que Fornos de Algodres chegou aos -16,5 e Figueira de Castelo Rodrigo aos -19,1.

Acima dos 20 pontos negativos estão Sabugal (-21,7), Pinhel (-22,5) e Mêda (-23,1), fechando Almeida com o pior registo deste período analisado pelo INE com menos -30,3 de habitantes.

Quem está satisfeito com os dados do INE é Joaquim Valente. Para o presidente da Câmara da Guarda, "só comprovam que a Guarda é atractiva e é cada vez mais uma cidade-âncora no distrito e na região da Beira Interior". Contudo, o edil não deixou de manifestar a sua preocupação pelo que se passa à sua volta.

"A desertificação é um fenómeno que nos deve preocupar a todos, pois de nada vale sermos uma cidade forte se não tivermos um distrito consolidado em termos de população para podermos ser competitivos em termos económicos", disse.

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