Homem morre esmagado quando limpava máquina
Cidadão russo era tido como experiente na manutenção de maquinaria industrial
ANA Correia Costa E HERMANA CRUZ
Um cidadão russo, a residir em Portugal há dez anos, morreu ontem esmagado pela máquina que limpava, num armazém da Trofa. Ninguém encontra explicações para o acidente, até porque a vítima era muito experiente.
Nas instalações da Degaia (uma firma sediada o Porto que se dedica à exportação de máquinas para o sector têxtil), situadas num armazém em Lantemil, na freguesia de Santiago de Bougado, perto da EN14, a morte de Alexander Domonoshchin, de 47 anos, residente em Custóias (Matosinhos) deixou todos "perplexos". É que, o cidadão russo, a viver em Portugal há dez anos, "era muito experiente" a lidar com maquinaria, conforme garantiu, ao JN, o proprietário da empresa.
"Ele sabia lidar perfeitamente com máquinas. Não era inexperiente", assegurou o proprietário do pavilhão, Carlos Ferreira. Tal não impediu, contudo, que, cerca das 9.30 horas, o trabalhador perdesse a vida, enquanto procedia à limpeza de uma máquina. Nas instalações estavam mais dois funcionários, mas em pavilhões distintos, pelo que não se aperceberam de imediato do acidente, contou aquele empresário.
"Ele estava a limpar uma prensa de malhas, que tem uns pratos por cima. Não entendemos como foi possível, porque não se percebe como o prato, que está agarrado à máquina, caiu. Julgo que ele estava em cima da máquina e, para limpar, deve ter desengatado os pratos, que são muito pesados para fazer a prensagem da malha. Ele terá desligado o motor que prendia o prato à máquina. Os próprios colegas estão perplexos. Foi uma fatalidade que não podíamos prever nem acautelar", explicou Carlos Ferreira, assegurando que a firma cumpre todas as normas de segurança.
Alexander morreu no local, com o tórax esmagado. O cadáver foi transportado para o Instituto de Medicina Legal de Guimarães, onde será autopsiado. O acidente de trabalho foi comunicado ao Ministério Público e vai ser alvo de um inquérito.
Apesar do cidadão russo só estar a trabalhar naquele armazém da Trofa há uma semana, ele já tinha sido funcionário da Degaia durante cinco anos. Desistiu, entretanto, para se aventurar num outro ofício. "Há mais de um ano que não era nosso funcionário, mas não se deu bem com o outro emprego e pediu para voltar. Entrou esta semana, na segunda-feira. O que aconteceu foi uma infelicidade", referiu o empresário.
Eduardo, um amigo e vizinho de Alexander, confirma: "Tinha começado a trabalhar esta semana, mas conhece muito bem a firma". O homem na Rússia até era camionista. Veio para Portugal com a mulher para melhorar a vida, deixando as duas filhas no seu país. Mas não conseguia encontrar ocupação na sua área. Por isso, acabou por se especializar na reparação de máquinas industriais. "Foi onde arranjou trabalho", justifica Eduardo.
Ao local acorreram os Bombeiros Voluntários da Trofa, a GNR e a VMER de Famalicão.
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