Entrega de embarcação a armadorlocal culmina interregno de cinco anos da VianaPesca
Os Estaleiros da VianaPesca en-tregam embarcação a armador local. Navio, de 250 mil euros, terá por destino a pesca costeira. Organismos estatais de diversos países (Angola e Brasil) recheiam carteira de encomendas.
A cerimónia de bênção e entrega de um navio, ontem, a um armador local, assinalou o fim do interregno de cinco anos, durante os quais a empresa VianaPesca, de Viana do Castelo, não se dedicou à actividade que presidiu ao seu nascimento: a construção e reparação de barcos de pesca. "É um dia inesquecível para nós e para a cidade", acentuou, a propósito, um dos responsáveis pelos estaleiros, Portela Rosa, juízo partilhado pelo presidente da Câmara, Defensor Moura: "Hoje é um dia importante para a cidade, que nunca voltou costas ao mar".
Concebido com recurso a "materiais modernos e a tecnologia de ponta", segundo os responsáveis pelos estaleiros, a embarcação ontem entregue, baptizada de "Chapas", tem 12 metros de comprimento e envolveu custos da ordem dos 250 mil euros, verba suportada, na íntegra, pelo armador, Pedro Chapas, de Viana do Castelo, que havia já visto recusado, por duas vezes, apoios da tutela destinados à modernização da frota pesqueira.
"Enquanto houve apoios à modernização da frota, apresentei dois projectos, mas os dois foram chumbados. Agora, quando realmente precisei, não tive outra opção senão a de investir neste barco. Trata-se de investimento feito com muito sacrifício, mas não sei fazer outra coisa que não seja andar ao mar", vaticinou o armador, sem esconder que a tutela "poderia conceder mais ajudas a quem precisa e analisar as situações, caso a caso, para o futuro de toda a actividade".
Para o empreendimento, o armador vianense abateu um total de sete embarcações, entre as quais o navio que ostentou, durante 11 anos, o mesmo nome do pesqueiro ontem entregue. "Pesquei com ele perto de 11 anos, mas o navio era mais antigo. Era uma antiga baleeira, construída em Aveiro e reformulada, com autorização dos serviços", assinalou. Destinado à pesca costeira, o novo "Chapas" tem capacidade para acolher seis marítimos e autonomia para operar no mar durante uma semana.
Segundo os responsáveis pelos estaleiros da VianaPesca, constitui o 46ª pesqueiro ali construído. O último saíra dali há cerca de cinco anos, com destino a um armador de Vila Praia de Âncora, em Caminha. De acordo com os responsáveis, o período que medeia entre a entrega dos dois navios marca a reestruturação operada nos estaleiros situados na Praia Norte, que deixaram de funcionar em regime cooperativo, passando a assumir-se como empresa, com a entrada de novos parceiros. Desde então que a firma tem encontrado em organismos estatais de diferentes países (além de Portugal, Espanha, Brasil, Angola e Guiné) alguns dos principais clientes das lanchas e pneumáticos saídos da fábrica de Viana do Castelo.
Segundo Portela Rosa, integram a carteira de encomendas da empresa um total de 19 lanchas (algumas destinadas à Marinha Portuguesa) e 65 pneumáticos (a esmagadora maioria destinados à Marinha de Angola e os restantes destinados à Armada brasileira).
Apresentadas foram, ainda, as obras para a criação de uma rampa de encalhe e de um cais de "travel-lift", investimento há muito ansiado pela VianaPesca e que se apresenta como "vital", segundo Portela Rosa, para a actividade de construção e reparação naval. Até ao momento, a intervenção custou mais de um milhão de euros.