Neveiros, Sincelo e Esquimó são nomes com décadas de fama graças a receitas artesanais. Descubra segredos bem guardados para este Verão
Há gelados em todo o lado, dos cafés aos supermercados, mas gelados feitos com o requinte artesanal italiano e com receitas que dispensam os corantes a favor da fruta fresca já são mais difíceis de encontrar.
O JN seleccionou três geladarias tradicionais do grande Porto: saiba por que motivo estas casas com décadas de história continuam a ser muito procuradas no Verão.
"Gostava muito que fotografasse o carrinho, porque é igual aos que antigamente vendiam o gelado na praia", diz orgulhosamente Maria Adelina Guedes, proprietária da Neveiros, uma das mais antigas geladarias do Porto.
Criada há 50 anos, a Neveiros teve na sua fundação uma lisboeta, que fazia os famosos gelados numa garagem na rua da Alegria. Em 1992, Maria Adelina Guedes comprou a geladaria e mudou-a para a rua Morgado Mateus.
"Os nossos gelados são do mais natural", afirma enquanto mostra a produção. "É água, açúcar e fruta natural, sem corantes, nem conservantes", explica, enquanto sai o gelado, com pedaços de fruta, da máquina vinda de Itália há 16 anos.
"Temos gelados de quase todos os frutos e também de chocolate e caramelo. Ao todo são mais de 30 sabores. Acho que o mais original é o de diospiro, porque penso ser a única a fazê-lo", acrescentando que "já pediram de feijão e de tomate". Por pedido também já fez de Vinho do Porto, que é "muito bom" e de champanhe "para um casamento".
Para além dos copos e cones tradicionais, é possível levar os gelados para casa, em embalagens próprias. Outra das especialidades são os bolos gelados. Maria Adelina Guedes prepara-se agora para concretizar um sonho antigo: abrir uma loja na Foz e deixa o convite com morada: "Abre no início de Julho e vai ficar no Centro Comercial da Foz (junto à praia do Molhe)".
Localizada na Rua de Ceuta, no centro do Porto, a geladaria Sincelo encontra-se em funcionamento há 28 anos. Engane-se quem pensa que o nome da geladaria tem origem italiana: é bem português e refere-se ao gelo que se forma dos pingos da chuva.
Dos 57 sabores que os clientes podem desfrutar, o mais antigo e mais pedido é o "sincelo", uma receita da casa servida numa taça diferente de todas as outras, que é vista como a imagem de marca da geladaria. Este gelado custa 4,05 euros e delicia os "clientes de há muitos anos", garante António Manuel, proprietário e fundador do espaço. Contudo, questionado sobre os componentes deste gelado, apenas diz: "É segredo!"
O sucesso deste local deve-se aos estudantes que, desde 1980, frequentavam a universidade na Praça dos Leões. "Numa altura em que era muito difícil vender gelados, valeu a boa qualidade do produto e o boca-a-boca, que foi passando de geração em geração", refere de forma entusiasmada.
A atestar a qualidade dos seus gelados, António Manuel assegura que utilizam sempre fruta do dia e que tudo é "feito de forma artesanal, ao bom gosto de antigamente".
Não há quem chegue a Espinho, por esta altura do ano, que não sinta logo no ar o cheiro doce dos gofres da geladaria Esquimó, uma das especialidades da casa que abriu em 1975 e que ficou famosa graças aos gelados feitos de forma artesanal, à moda italiana.
Se hoje os gofres cobertos de chocolate quente ou uma bola de gelado levam dezenas de pessoas, à saída da praia, a fazer fila frente à geladaria, já os gelados, sejam os de sabores tradicionais, sejam as receitas mais exóticas, são conhecidos em todo o país.
"Mais do que uma mera sobremesa, os nossos gelados são um verdadeiro alimento produzido dentro das mais estritas regras onde a qualidade pode ser verificada desde a origem dos ingredientes que usamos", explicou o gerente João Sá, também responsável pela criação dos gelados. "E tanto assim é, que são várias as pessoas que, depois de uma intervenção cirúrgica, como por exemplo uma operação à garganta, foram aconselhadas pelos médicos a comer gelados do Esquimó. Houve até quem aconselhasse o mesmo a doentes oncológicos enquanto faziam tratamentos de quimioterapia e, segundo me fizeram depois constar, com resultados muito bons", contou.
João Sá é mesmo a alma por de trás de cada gelado do Esquimó. Há já mais de 30 anos que dedica a sua vida à sua produção, arte que aprendeu primeiramente com um famoso mestre de Milão, Alberto Lampugnani, e nos vários cursos feitos pelo Mundo, tendo obtido diversos prémios ao longo dos anos.