Fidel Castro, após a tomado do poder, por acção armada, contra o ditador Fulgêncio Batista declarou publicamente que não era comunista nem pretendia instaurar em Cuba uma ditadura comunista. Entretanto, os apoiantes mais notórios da antiga ditadura, agora designados por contra-revolucionários, foram sendo fuzilados. O "che" Guevara, ídolo revolucionário do meu tempo de juventude, também teve as suas mãos manchadas com este sangue.
A distância destes acontecimentos, a idade madura, faz-nos refletir sobre estes ideais que abraçamos, porque lutamos. E chegamos à triste conclusão que muitas vezes fomos enganados, ou que a pureza do nosso idealismo era prostituida pela prática dos nossos líderes. E mantida pela sua propaganda.
Foi o caso da U.R.S.S., da China maoista e da revolução cubana. Os ideais de uma revolução socialista em que todos os seres humanos produzissem de acordo com as suas capacidades e recebessem consoante as suas necessidades, foi uma mentira propalada pela classe de burocratas do partido único, o partido comunista, que arrebanhou o poder, e cujos militantes permanentemente seleccionados e controlados por uma clique dirigente, que efectivamente detinha o poder político.
E deu no que deu. O distanciamento das populações em relação à doutrina, ao partido e ao regime. Logo que tomaram consciência da sua força e da fraqueza do regime, derrubaram-no. Foi a queda do "Muro de Berlim".
Voltando a Chavez. Para mim este senhor não passa de um potencial ditador, serôdio. Um ex-militar, tenente-coronel da força aérea venezulana, que servindo-se da nobreza dos ideias socialistas mais não quer que impor pela força, quando o voto livremente expresso nas urnas não lhe der o poder, a sua ideologia. Parece não ter compreendido que o tempo das ditaduras foram rejeitadas definitivamente pela Humanidade. Se as ditaduras de direita foram sempre as que primeiro foram banidas pela brutal desigualdade que produziam, não digo repressão porque as comunistas não lhes ficaram atrás, as ditaduras comunistas, mercê da ideologia e propaganda que produziam, foram as últimas. O seu sistema económico de produção de riqueza falhou por não ser competitivo, burocratizado e não estimulante, por não premiar o mérito mas sim aquela classe dirigente, oportunista e sem valor que ascendera aos quadros do partido único.
Na ainda democrática Venezuela, Chavez ameaça lançar os tanques da sua mais poderosa brigada blindada para continuar no poder do estado mais rico, o de Carabobo, no caso da oposição ganhar as eleições.
Lembremos que ainda no passado recente fez um referendo, que perdeu, em que pretendia eternizar-se no poder.
Relembremos também que tem perseguido a oposição de múltiplas formas, sendo a mais violenta e opressiva a nacionalização de quase todos meios de comunicação social, de modo a controlar toda a informação no país.
É assim que se prostituie uma revolução. Os objectivos que se pretendem atingir são desvirtuados pelos meios que se utilizam. É isto que Chavez está a fazer na Venezuela. Foi isso que Fidel fez em Cuba.
Fidel Castro levantou a bandeira de José Martí como símbolo da revolução cubana. Fez bem. Só que utilizou a força bruta para impor as suas ideias. E mentiu. Perdeu. A História o julgará. Não o absolverá, como proferiu em sua defesa quando do julgamento do assalto ao quartel de Moncada.
Chavez tem utilizado como sua bandeira Fidel. A cópia é sempre pior que o original.
Perguntar-me-ão, mas afinal qual o caminho para uma sociedade mais justa. Dir-lhes-ei que a ideologia é essa. O caminho é em Liberdade. Quando houver retrocessos, que os haja, como este agora que pode acontecer no estado de Carabobo. Aprender com os nossos erros, chamar cada vez mais pessoas para a construção de uma sociedade mais fraterna, igualitária e livre, é uma tarefa para muitas gerações. Pretender fazê-lo com a ponta das baionetas, não!
Aprendamos a lição.