No final da noite todos os partidos anunciaram a sua vitória no geral das contagens de todos os votos no total de Presidências de Câmara, Presidência de Freguesias e Assembleia Municipal obtidas. Nenhum mostrou qualquer derrota.
O PS apresentou a clara vitória ao anunciar como o partido com maior número de Câmaras Municipais em que concorreu sozinho, sem qualquer coligação. 37,65% dos votos, que corresponde a 130 Câmaras, em que 118 foram com maioria absoluta. Conquistou a liderança de 1581 Juntas de Freguesia. Sem duvida um excelente resultado, sem qualquer coligação, dando ao PS um crescimento na liderança do poder local, que sempre esteve sobre o domínio do PSD. Espera-se que estes resultados sejam uma nova força para o PS na gestão do poder local.
O PSD atinge os 22,94% dos votos concorrendo sem coligações, o que corresponde a 116 Presidências de Câmara, sendo 109 com maioria absoluta. As candidaturas em que existiram coligações permitiram ao PSD somar mais 22 Câmaras Municipais. Caso não existissem estas coligações certamente que o PSD perderia a liderança do poder local, que já mesmo assim está aquém de outras eleições. Em segundo lugar ficou também ao nível das freguesias, sem contar com as coligações, 1522. Com as coligações atingiu as 1926. A queda de resultados do PSD também está relacionado com a necessidade de uma certa renovação em muitos municípios do país que durante muito tempo viveram adormecidos.
A CDU continua a ser a terceira força política com 9,76% dos votos. também estes não assumem qualquer derrota, ainda que tenha perdido algumas das Câmaras como Beja, que liderou desde 1976 ou Marinha Grande. Câmaras municipais que sempre foram fortes na presença comunista. Neste momento, a CDU conta com 28 Câmaras Municipais, sendo que 24 dessas com maioria absoluta. O poder da CDU manifestou-se sobretudo ao nível das Juntas de Freguesia 215. É notável o reforço desta força política no poder local e da sua forte influência, por exemplo em Lisboa. Este é um resultado mais expressivo que o alcançado nas últimas legislativas.
Este aumento de peso do poder local, mesmo que não seja em presidências, confere à CDU uma responsabilidade acrescida na gestão autárquica e da qual dependerão muitas decisões, estando numa posição de grande responsabilidade.
A expressão do CDS/PP no poder local continua a ser diminuto com apenas uma Câmara Municipal, que corresponde a 3,09% dos votos. Os resultados mais positivos e expressivos são provenientes das coligações celebradas com o PSD. Caso não fosse, este partido nunca seria uma alternativa para a gestão autárquica, tal a sua insignificância. Embora, Paulo Portas tenha transmitido um discurso muito positivo e também de vitória.
O Bloco de Esquerda não pode ainda contentar-se com o aumento expressivo de votos para as autarquias. Também não se consegue apresentar-se como força alternativa para a política local. Fica-se pelos 3,02% dos votos, com uma Câmara Municipal e 4 Juntas de Freguesia. Não se coligou, manteve-se sozinho nestas eleições contra os grandes do poder local.
A abstenção atinge 41%, uma percentagem bastante elevada para as eleições em questão. Será também muito importante pensar e discutir as razões que provocaram o afastamento dos eleitores na eleição daqueles que serão responsáveis pela gestão dos nossos municípios e freguesias e que terão um contributo para a melhoria das nossas condições de vida.
Manuel de Sousa
01:45 A noite eleitoral continuou com grandes personagens do costume a manifestar a sua vitória como Luís Filipe Menezes continua a liderar solidamente o município de Vila Nova de Gaia e Fernando Seara continua a liderar a Câmara de Sintra.
01:32 Isaltino Morais ganha para espanto de muitos a Câmara de Oeiras com 41,52% dos votos, tendo em segundo lugar o PS com 25,77%.
Isaltino Morais segue assim a sua caminhada, mesmo que tenha a justiça à sua perna e mesmo que o tribunal o tenha condenado sem qualquer dúvida por crimes de corrupção. Não se compreende que depois de tantas suspeitas e constatações do tribunal este candidato tenha ganho e com uma larga vantagem em relação aos adversários.
Talvez seja por estes pontos, que muitos portugueses deixam de acreditar na classe política e optem por abster-se. Mas, o voto é do povo. Este é que decide. Pena é que não exista lucidez possível para avaliar casos polémicos como este. Também culpa é da legislação que permite a candidatura de cidadão duvidosos.
Mal vai a democracia se no futuro continuarem a ocorrer estas situações.
01:00 Braga continua a ser de Mesquita Machado, que continua a sua carreira como dinossauro político neste distrito e do qual já se esperava mais uma vez a sua vitória. Porém, a sua notoriedade tem vindo a perder a sua influência, nota-se pelos resultados obtidos, 44,71% seguido pelo PSD-CDS-PPM com 41,99%.
A campanha de Mesquita Machado foi sem dúvida uma campanha muito forte e com um peso decisivo, pela envergadura de meios envolvidos. Foi notável o trabalho de marketing na imagem deste candidato, muito mais importante que a imagem do partido. A sua Sede de campanha, os outdoor e tudo mais, marcaram desde cedo a campanha rumo à vitória.
Muitas obras foram feitas e outras anunciadas e importantes ficaram por resolver. Mas quanto às que ficaram por resolver não deu resposta, pretendendo apenas anunciar as grandes obras como o prolongamento do túnel da Avenida da Liberdade.
A este candidato, nem as dúvidas em relação à gestão autárquica puseram em causa a sua eleição.
00:36 Gondomar continua a contar com Valentim Loureiro na Presidência de Câmara, que vence com 42,75% do votos, em grande vantagem sobre o PS que se ficou pelos 29,33%. O PSD fica-se pelos 15,31% e a CDU pelos 5,87%.
Este resultado fragilizou o PSD, que enquanto tiver Valentim como candidato concorrente, não vai conseguir conquistar a Câmara de Gondomar.
Não haverá muito a dizer sobre esta vitória que se repete tantas vezes quantas Valentim Loureiro for candidato pelos Gondomarenses, ainda que aos olhos de quem está de fora do concelho, possa parecer incompreensível a sua constante reeleição. Também sobre este recaíram suspeitas sobre a sua gestão autárquica, mas sem qualquer valor perante as estrondosas vitórias conquistadas ao longo dos anos e o elevado apoio popular que conquistou. Gondomar sem Valentim, não será Gondomar.
00:16 Fátima Felgueiras foi a grande derrotada da noite. Perdeu Felgueiras, um dos concelhos que durante muito tempo deu que falar nos nossos media. Mulher que durante muitos anos foi saudada pelos felgueirenses como a grande mulher, mesmo que sobre ela existissem graves suspeitas de corrupção nas gestão autárquica. Fugida para o Brasil e de regresso para vencer novamente as eleições com grande força, nestas autárquicas teve uma das maiores desilusões da sua carreira política na autarquia de Felgueiras.
Talvez o povo tenha realmente aberto os olhos para a dimensão e polémica da sua candidatura, na altura que a justiça tenta apurar as irregularidades da qual é suspeita. Durante muito tempo o povo acreditou na sua inocência e jamais aceitava, em grande maioria, que esta possa ter cometido irregularidades. É bom para a democracia quando se procura a eleição de pessoas que não possuam um passado autárquico tão duvidoso.
23:46 O Porto mantém o Rio, para além do Rio Douro. Rui Rio é o claro vencedor com 49,83% dos votos em relação a Elisa Ferreira que se ficou pelos 32,73%.
A vitória de Rui Rio deve-se à coligação PSD/CDS, que caso não existisse não existiria certamente uma vitória tão expressiva quanto isso. A vitória deste candidato traduz também numa mudança do sentido de voto dos portuenses ao longo do tempo, basta recordar o passado autárquico Portuense com forte tendência Socialista. Com a chegada de Rui Rio o panorama alterou, apesar das fortes contestações que têm existido ao longo dos anos do seu mandato. Muitas vezes conotado por não gostar do FCPorto e com fortes divergências com este clube e seu adeptos, nota-se que isso em nada o prejudicou.
Elisa Ferreira, que poderia ter sido a surpresa da noite eleitoral, ficou aquém das expectativas. Elisa Ferreira não assumirá o seu lugar na Câmara Municipal, dado que pretende manter o lugar como deputada no Parlamento Europeu. Questiona-se aqui a razão porque alguns candidatos, que assumiram outros lugares de relevo e importância nacional, são cabeças de lista e depois abandonam os lugares para os quais são eleitos. Ficamos com a impressão que apenas são rostos para conquistar lugares de relevo e caso não o consigam rejeitam os lugares que lhes são atribuídos, mas que não deixam de ter a sua importância e o seu relevo.
O PS teve uma pesada derrota, mesmo com uma candidata que poderemos dizer de qualidade. Questiona-se a validade das suas criticas em relação à candidatura PSD/CDS, onde diz que foi prejudicada pela ausência de debate público e pelas constantes criticas em em relação ao seu lugar no Parlamento Europeu.
A CDU teve também uma boa expressão de esquerda, ainda que pequena, mas mantém-se como a terceira força política. Falta saber qual a força e importância no futuro deste concelho nortenho.
23:33 Lisboa será conduzida por António Costa, pelo Partido Socialista, dando continuidade à liderança que havia alcançado nas últimas eleições intercalares, aquando a saída de Carmona Rodrigues. A Câmara mais importante do país e que traduz uma visão nacional do PS demonstra que o partido ainda está sólido e que o seu peso no poder local poderá chegar aos níveis dos sempre alcançados pelo PSD.
Santa Lopes é o derrotado porque não atingiu a sua vitória, nem foi capaz de cativar o eleitorado Lisboeta. Notou-se porém, que esta foi uma derrota dura de assumir, tal o tardio reconhecimento de derrota do candidato, quando as projecções davam a vitória confortável a António Costa. Estranho aquele vai e vem, entrada e saída com os jornalistas atrás e a sua indecisão quanto ao futuro na Câmara de Lisboa. A sua candidatura terminou num ar de indecisão, talvez essa a razão pela qual o eleitorado tenha ponderado na sua eleição. Como disse António Costa «ele anda por aí».
A CDU manteve-se como terceira força política, não tendo ainda nenhum mandato eleito até ao momento. De notar, o forte aumento de força ao nível das freguesias com aumento da votação.
No panorama total do distrito de Lisboa, PS surge em primeiro lugar e CDU em segundo lugar, ambos bastante confortáveis em relação a qualquer partido ou coligação das restantes forças eleitorais, que neste distrito tiveram pouca expressão.
Lisboa continua a ser de maioria de esquerda, como em grande parte da sua história autárquica.
23:30 A noite vai longa, muitos resultados já estão decididos, mas muitos ainda estão por apurar, para obtermos a real dimensão das últimas eleições.
Numa viagem entre os meios rurais até ao meio urbano, notava-se no ar grandes expectativas para conhecer os vitoriosos e eleitos em cada freguesia e em cada concelho. Aqui e acolá inúmeras pessoas, em grupos, à espera nas ruas pelas caravanas que aqui e ali se foram organizando, na medida em que os resultados foram sendo apurados.
São importantes estas eleições pela sua dimensão na intervenção e decisão do poder local.
Tristes os acontecimentos deste dia com o caso de homicídio ocorrido em Hermelo, concelho de Mondim de Basto, que vitimou o marido da candidata à presidência da junta daquela freguesia. Triste pelo crime e triste por se tentar manchar a democracia portuguesa.
A abstenção teve a sua força bastante expressiva, comparativamente a eleições anteriores, tendo atingido até ao momento cerca de 46,41%. Será importante também questionar e debater as razões desta taxa de abstenção, num dos actos eleitorais mais importantes a nível nacional. Crise política? Crise de candidatos e de criação de listas? Falta de credibilidade? Mudança do modelo político autárquico?
Manuel de Sousa
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