Após algumas semanas sem escrever, fui abordado por várias pessoas que iam seguindo as minhas crónicas e que de uma forma ou de outra me manifestaram a sua preocupação pela minha ausência…
Vidas corridas, mudanças interiores e disposições ambíguas fizeram esta minha ausência um pouco mais longa do que eu próprio gostaria…
Mas, ontem à tarde, houve uma coincidência que me fez agir…
Saí e fui com a minha filha mais velha, (que me andava há varias semanas a “chagar a cabeça”), a Viana do Castelo.
O dia não estava muito de feição, mas entre uma nuvem e outra, lá ia espreitando o sol, aquecendo o corpo e confortando o espírito.
- Pai, quero ir no elevador… é tão giro! – E a minha cabeça a girar, a pensar numa boa desculpa para subir depressa o monte de Santa Luzia e aproveitar o resto da tarde à beira mar.
- Não há onde parar o carro, filhota. E se queremos subir ao zimbório temos que nos despachar, senão não temos tempo de comer um gelado à beira mar…
Meio inconformada, meio resignada, talvez a pensar no sabor do gelado, sei lá, lá disse entre dentes:
- Bora lá de carro, pai. Mas deixa-me dizer-te que estás a ficar cota!…
- Ora essa – disse eu fingindo-me indignado – Cota eu?
E toca a subir o monte.
Chegamos acima e depois de entrar-mos na Igreja e deu uma breve oração subimos ao zimbório.
Depois de não sei quantas escadas e de ter confirmado que não estou tão cota assim (ele cansou-se mais depressa a subir as escadas), lá chegamos à varandinha… Que vistas…
Tudo à nossa frente era azul e uma imensidão sufocante.
Mirei a paisagem à minha volta e pensei na grandeza de quem fez tudo aquilo.
….
Estava eu perdido nos meus pensamentos, a considerar que todas as pessoas deviam poder desfrutar de tão soberba visão, e de como eu gostaria de partilha-la com as pessoas de quem gosto escrevendo-a no blog, quando o telemóvel toca e me chama à realidade…
Era um amigo meu: - Olá rapaz…. Como vais? Há que tempos que não dás noticias, Nem no blog tens escrito… Está tudo bem contigo? Onde raio andas metido?
- Olha, cá vou… - Respondi (e no meio de outras coisas, a conversa do costume, que tudo bem, que tudo fino e tal)
E veio a despedida. Com uma frase final, que me fez reagir:
- Adeus homem, e vê se escreves. Gosto de te ler e sempre sei de ti…
Já à noite, (acho que até já passava da meia noite), uma mensagem de outro amigo:
- Se tiveres tempo vai ao teu hotmail.
E lá tinha um valente raspanete e um pedido expresso para não parar de escrever!
A sério que me senti grato por quererem saber de mim. E importante como a paisagem!