Director
José Leite Pereira

Director Adjunto
Alfredo Leite

Subdirector
Paulo Ferreira
 

 

Candidato do PS matou marido de adversária

Eleições em Ermelo foram suspensas e adiadas para o próximo domingo

Maria Cláudia Monteiro
 
foto Artur Machado /JN
Candidato do PS matou marido de adversária
A esposa de Maximino Clemente
 

A população de Ermelo, em Mondim de Basto, despertou ontem, domingo, com a notícia da quase que anunciada tragédia que se abateu sobre a terra. O candidato à Junta pelo PS matou a tiro o marido da candidata pelo PSD.

"Não acredito no que aconteceu em Fervença... Não posso aceitar, morreu em defesa do povo". A revolta de Maria da Glória Nunes ecoava pelo empedrado da rua estreita que ontem se encheu de gente, em Ermelo, Mondim de Basto. Para lá foram alguns dos da terra, dos que apoiavam Maria da Glória, candidata do PSD, na luta pela Junta de Freguesia contra o adversário socialista, António Cunha, que ontem, manhã cedo, lhe matou o marido.

Agora se sabe, a luta era real. Dessas que dividem terras, famílias, com discussões, quezílias, queixas e ameaças, dessas que separam aldeias com poucos centos de gente. As contas são simples para quem delas faz parte e tudo se resume a "nós, os bons" e "a seita deles". Ontem, soube-se, que era real o combate, pouco passava das sete da manhã, quando ainda se ultimava a abertura da assembleia de voto de Fervença.

"Trazia a arma encostada à perna, não proferiu palavra, passou pelas pessoas e alvejou o marido da presidente da Junta, Maximino Clemente. Disparou e pôs-se em fuga", contou Manuel António, membro da mesa de voto. A essa hora, Filomena Silva esperava que Fernanda, filha de Maria da Glória e de Maximino, lhe servisse o café da manhã, cá em baixo, no restaurante em Ermelo. Era cedo e queria ficar despachada, que ontem ainda regressava a Lisboa. "O telefone tocou e já nem tirou os cafés... Começou a gritar: o meu pai está morto, o meu pai está morto", recorda Filomena, olhos rasos de lágrimas, coração vazio, enquanto esperava a boleia para Lisboa. "Tenho uma mágoa que levo aqui dentro".

"Quando vi o povo em camisa de dormir na rua, achei que tinha havido um acidente. Nunca pensei que fosse o meu marido", conta Maria da Glória, discurso sincopado de soluços e tristeza. Foi eleita presidente da Junta de Freguesia de Ermelo pela primeira vez há quatro anos. "Ele nem queria que me candidatasse outra vez", lamenta Maria da Glória, que ainda não decidiu se mantém a candidatura.

Os cartazes da campanha pendem no cimo dos postes de Ermelo, escondida ontem atrás das janelas fechadas das casas. Lá do cimo, o slogan de campanha de António Cunha deixa adivinhar a tensão vivida durante a campanha: "Ermelo não pode ter medo".

A GNR e a PJ localizaram, ao início da tarde, o carro de António Cunha e a alegada arma do crime, em Peso da Régua, mas não conseguiram encontrar o suspeito. As buscas continuam hoje.

Partilhar
 [?]
 
 

Comentários
11 Comentários

 
 
     
 
Nome de Utilizador: 

 
Password: 
 
     


 
 
 

 
 
 
12.10.2009
00:41
Portugal - Porto
Jocaze, nas cidades existem quezílias destas entre gangs rivais que são considerados marginais e não são candidatos a presidentes de junta. As guerras por terrenos e o espingardismo foi sempre mais comum nas zonas rurais.

 
 
 
11.10.2009
19:44
Portugal - Braga
O lema do candidato era "Ermelo sem medo"... depois disto..medo, muito medo!!!

 
 
 
11.10.2009
19:21
Portugal - Braga
O lema do candidato era "Ermelo sem medo"... depois disto..medo, muito medo!!!

 
 
 
11.10.2009
19:16
Portugal - Porto
Citação: "pena não ter sido o sócrates". Trata-se de um comentário inqualificavel em baixo reproduzido. É também inqualificavel o JN dar cobertura a este género de comentários. A vida humana tem de merecer o respeito de todos. Divergências políticas são coisas mesquinhas.

 
 
 
11.10.2009
18:54
Portugal - Porto
Andavam às turras por causa de quererem meter ao bolso uns bens da freguesia, um deles mata o outro a sangue-frio mas alega legítima defesa, duas cápsulas de pistola foram encontradas noutra rua... terá a vítima encomendado o assassinato do opositor e este ter escapado, e feito justiça pelas próprias mãos?

 
 
 
11.10.2009
18:51
Portugal - Lisboa
Oh Senhor VHS, então isto é só no interior? Mas em País vive, tenho visto casos destes é nas cidades, mas enfim cada um v~e as coisas da maneira que quer.

 
 
 
11.10.2009
17:17
Portugal - Lisboa
Se a GNR "considerava" agora já não considera porque um morreu e o outro prendeu-o.`é o que se denomina de acabar com o risco à bala!

 
 
 
11.10.2009
16:50
United Kingdom
Abertura das urnas ou abertura da caca grossa??? Nao a respeito nem liberdade...

 
 
 
11.10.2009
15:42
Portugal - Porto
Engraçado que estas histórias de quezílias de famílias são muito comuns no Portugal interior, rural e conservador. Se é este o modelo de família e de políticos que as pessoas conservadoras querem para o país, só me resta ter pena delas.

 
 
 
11.10.2009
14:19
Portugal - Porto
O mundo anda louco!

 
 
 
11.10.2009
14:14
Portugal - Porto
Aqui está uma prova do compadrio,estamos numa ditadura como antigamente o jornal nacional de sexta feira diz tudo, querem obrigar as pessoas pela força e prejudicam a quem se opõe este polvo é superior á mafia dos gangues á Italiana as minhas condolências á familia enlutada pelo acto cometido tão bárbaro,Lisboa que acorde ainda está a tempo.












Multimédia
Cidadão Repórter
Notícia do Dia


 

Últimas
+Lidas
+Comentadas
+Pesquisadas
 

Jogos Ao Vivo

Serviços


TEMPO Dados fornecidos pelo Weather Channel
  • n/d
  • 9ºC
  • HOJE
  • 17ºC
  • 12ºC
  • AMANHÃ

 

Twitter HOME
FACEBOOK HOME
Galeria JN
Entre palavras
Passatempo Muro de Berlim


Controlinveste Media SGPS, S.A. Todos os direitos reservados
Termos de Uso e Política de Privacidade |  Ficha Técnica |  Quem Somos |  Contactos |  Webmaster