Director
José Leite Pereira

Director Adjunto
Alfredo Leite

Subdirector
Paulo Ferreira
 
Galeria JNGraça Morais, Pinturas e Desenhos 2008
Graça Morais, Pinturas e Desenhos 2008
foto Direitos Reservados
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Oito telas a óleo e 23 desenhos criados no último Verão, em Trás-os-Montes, constituem a mostra que Graça Morais expõe na Galeria JN, no Porto. Trabalho resulta de uma reflexão sobre o quotidiano das pessoas que rodeiam a pintora.

A entrada é livre. Aberta ao público até 14 de Dezembro.

Edifício JN, R. Gonçalo Cristóvão, 195 4049-011 Porto. Horário: 2ª a 6ª feira, das 12,30h às 19,30h / Sábados, Domingos e Feriados das 15h às 20,00h
segunda a sexta, das 12h30 ás 19h30 sábados, domingos e feriados das 15h às 20h


"Não é sem um tremor que o homem ousa olhar um rosto, pois este existe, antes de tudo, para ser olhado por Deus".
Max Picard, Le visage humain


Portas para o invisível, os rostos que nos olham nestas pinturas, mesmo quando os seus olhos nos evitam ou nos ignoram, fecham-nos algo irremediável e inominável. Mais do que rostos, são antes máscaras, "êxtases imóveis" em que se inscrevem mundos interiores onde não nos é dado alcançar. Também a pintura é uma máscara, e também ela desamparada. Também ela, quando desvela, oculta. Porque a pintura vê mas não sabe (e como poderia ela saber?).

A pintura de Graça Morais sempre perscrutou rostos, a sua linguagem silenciosa. Como nenhuma outra pintura portuguesa contemporânea, o acto de pintar é, em Graça Morais, fundamentalmente um acto de paciente amor, pois que, como escreve Max Picard, "só na atmosfera do amor um rosto humano se conserva como Deus o criou, como imagem sua". Que esses rostos sejam obsessivamente rostos de mulheres permite talvez (mas que sei eu?) vislumbrar o sentido inquieto da sua pintura, re-ligando (pois suspeito que há por aqui algo de fundamente religioso) anima e espírito, sentimento e razão, tempo e eternidade, existência e transcendência.

Um grande luto (sob todas as suas formas, as da morte como as da vida), uma dor muda, cobrem agora como um véu rostos macerados pela usura dos dias. Mesmo os olhos, singularmente poupados, nos desenhos, à brutalidade gestual da pintura, olham cegamente para dentro, mais do que para fora e, se nos fitam, parecem ver para lá de nós. A pintura de Graça Morais é aqui, provavelmente mais do que nunca (repito: mas que sei eu?), uma arte de silêncios, de lábios fechados, do pudor da palavra dita. Num dos quadros, uma mão tapa a boca reprimindo um grito; noutro, um ramo de flores protege um segredo apenas murmurado; noutro ainda, as flores ocultam inutilmente a evidência da morte. As próprias cores (castanhos, rubros, negros), densas e sólidas, às vezes expressionistas, como, do mesmo modo, a matéria simbólica presente na decomposição e metamorfose dos corpos, parecem querer obstar a qualquer ruído (há quem julgue que a pintura não tem som, mas o que há mais para aí é pintura barulhenta) de representação para além do processo figurativo.

Porque também a pintura é usura. Também ela, pelo menos esta, olha para dentro de si. E o que vê, suspendendo a respiração, é tempo, memória (incluindo, inevitavelmente, a memória da própria pintura), murmúrios, fragmentos. Do lado de lá da morte, a Eternidade (não aparece ela paradamente a Daniel sob a forma de velho?) deve ser, acho eu, assim.

Porto, 24/09/08
Manuel António Pina



Nasce em 1948 em Vieiro, Trás-os-Montes.

Licenciada em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto no ano de 1971.

Algumas das suas exposições individuais mais importantes: "O Rosto e os Frutos", SNBA (1980); "Mapas e o Espírito da Oliveira", que expõe em 1984 e 1985 no MAM de São Paulo e Rio de Janeiro; "Erotismo e Morte", Universidade de Granada (1985); "O Erótico e o Sagrado", Imprensa Nacional (1985); exposição com apresentação da monografia "Graça Morais, Linhas da Terra" de António Mega Ferreira, edi. Imprensa Nacional - Casa da Moeda; "Evocações e Êxtases", Galeria 111 (1987). Em 1988/89 estadia artística em Cabo-Verde a convite do Embaixador José Fernandes Fafe que deu origem a exposições em Cabo-Verde e em Portugal. Em 1990, expõe em Washington (Kimberly Gallery) e Nova York (Scott Alan Gallery).

1991, recebe o prémio SocTip - Artista do Ano. Em 1994, Exposição antológica na Galeria da Mitra, em Lisboa. No ano de 1995 criou figurinos e cenários para a peça "Ricardo II", de Shakespeare, no Teatro D. Maria II, em Lisboa. Participa na colectiva "Waves of Influence", sobre cinco séculos de azulejaria portuguesa, nos Estados Unidos.

1997, exposição antológica "Memória da Terra, Retrato de Mulher" na Culturgest em Lisboa, e no Museu Soares dos Reis no Porto comissariada por Prof. Fernando Pernes. Ainda no mesmo ano, foram publicados os livros "Graça Morais", com textos de Vasco Graça Moura e Sílvia Chico, edição Quetzal/Galeria 111, com o patrocínio do BPI e "As Escolhidas, Graça Morais", de Manuel Hermínio Monteiro (Edit. Assírio & Alvim). É editado em Paris pelas Éditions Signature um álbum de litografias "Couleurs de la Terre" com texto e poemas de José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Nuno Júdice, Vasco Graça-Moura e Pedro Tamen. Inaugura painéis de azulejos na estação de Bielorrússia do Metropolitano de Moscovo. Margarida Gil realizou o filme "As Escolhidas", tendo como base entrevista e obras de Graça Morais. "

Em 1999, realizou as exposições "Sete Tapeçarias" na Galeria Tapeçarias de Portalegre em Lisboa; "Anjos da Montanha" na Galeria Ratton em Lisboa; e "Geografias do Sagrado" que foi apresentada em Trento (Itália) e no Palácio Foz em Lisboa, comissariada por Fernando de Azevedo. No mesmo ano é realizado, "Na Cabeça de uma Mulher está a História de uma Aldeia", documentário de Joana Morais, sobre a vida e a obra de Graça Morais.

No ano 2000, apresentou desenhos e pinturas da série "Terra Quente ? Fim do Milénio" na Galeria 111.

Em 2001, apresentou a mesma exposição em Paris, no Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian e "Deusas da Montanha" na delegação de Paris do Instituto Camões. Também em 2001 é incluída por José Augusto França no livro "100 Quadros Portugueses no Século XX".

Em 2002 expõe na Galeria 111, em Lisboa, a série "A Idade da Terra" com texto de Maria Velho da Costa.

Em 2003 exposição antológica "A Terra e o Tempo" no Museu da República Arlindo Vicente, em Aveiro.

Residência artística em Sines em 2005, inauguração do Centro de Artes de Sines com a exposição "Os olhos azuis do mar" com edição de um catálogo/livro com texto de António Mega Ferreira e fotografia de Augusto Brázio. É editado o livro "Uma Geografia da Alma" (Bial). Expõe "Retratos e Auto-Retratos" no Centro Cultural de Cascais, comissária Sílvia Chicó.

Entre 2006 a 2008 realiza-se a exposição itinerante "Graça Morais na Colecção da Fundação Paço d?Arcos ? Pintura, desenho e azulejo - 1982 a 2006" nas Galerias Torreão Nascente da Cordoaria Nacional em Lisboa e na Galeria do Palácio, Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Porto. Catálogo com texto de Cristina Azevedo Tavares.

Desde 1974 até 2008 realiza e participa numa centena de exposições individuais e colectivas, dentro e fora do País.

Em 2008 foi inaugurado o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais em Bragança, com uma exposição em permanência de obras da Artista, representativas das várias séries entre 1982 e 2005.

Está representada com tapeçarias executadas pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre na Assembleia da República, Câmara Municipal de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Montepio Geral ? Lisboa, Fundação Mário Soares (Lisboa), Pousada de São Bartolomeu, Bragança e colecções particulares.

Intervenções artísticas em azulejos no Edifício sede da Caixa Geral de Depósitos (em Lisboa), na Estação de Bielorrússia do Metropolitano de Moscovo, na estação de comboios do Fogueteiro (Seixal) e na Estação de Metropolitano da Amadora ? Falagueira. Painéis de azulejos no Mercado Municipal de Bragança, na Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães, na Caixa de Crédito Agrícola de Bragança, no Teatro Municipal de Bragança e na Escola Miguel Torga em Bragança. Destacam-se ainda os painéis em azulejo no Viaduto de Rinchoa/Rio de Mouro, no Centro de Astro Física e Planetário do Porto e na Central Hidroeléctrica de Vilar de Frades (Vieira do Minho).

Ilustrou e colaborou com poetas e escritores, como: Agustina Bessa-Luís; José Saramago; Miguel Torga; Sophia de Mello Breyner Andresen; Pedro Tamen; António Alçada Baptista; Manuel António Pina; Nuno Júdice; Clara Pinto Correia; José Fernandes Fafe; António Osório; José Carlos de Vasconcelos, entre outros.










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