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Passageiros enviaram SMS aos familiares

Augusto Correia e Lúcia Souza, correspondente no Rio de Janeiro
 
foto Jetphotos.net
Passageiros enviaram SMS aos familiares
O avião que desapareceu no Atlântico, fotografado numa das várias vezes em que aterrou no Charles de Gaulle
 

"Eu te amo" ou "Estou com medo" foram algumas das mensagens de telemóvel que os passageiros do avião da Air France desaparecido enviaram aos seus familiares quando se aperceberam que a aeronave estava com problemas. 

O presidente do sindicato das empresas aeronáuticas do Brasil, Ronaldo Jenkins, que teve acesso à zona restrita onde os familiares das vítimas acompanham o desenrolar das operações, confirmou ao JN que as SMS foram enviadas pelos passageiros.

Segundo confirmou ao JN o presidente da Air France Brasil, João Assunção, seguiam a bordo 12 tripulantes e 216 passageiros, dos quais 126 são homens e 82 são mulheres. Há ainda sete crianças e um bebé.

A lista com os nomes dos passageiros está já definida, mas a sua divulgação pública só será feita após a confirmação da nacionalidade de todos os passaegiros.

Veja a infografia

As buscas envolvem mais de 300 militares da Marinha do Brasil, que mobilizou três navios para as operações. Um navio-patrulha saiu de Natal, estado do Rio Grande do Norte, às 09:00 (hora local, menos quatro em relação a Lisboa), a que se seguiu uma corveta de Maceió, Alagoas, também durante a manhã, estando previsto para o meio-dia (também hora local) o envio de uma fragata de Salvador (Baía), transportando um helicóptero Lynx, adiantou fonte dos serviços de imprensa da Marinha do Brasil.

O local das buscas e salvamento, segundo a mesma fonte, situa-se a 290 milhas a Nordeste de Natal, 575 quilómetros da costa, a última posição conhecida do avião da Air France, cerca das 11 horas locais, e são dirigidas pelo terceiro Distrito Naval, sediado na capital do Rio Grande do Norte.

Buscas ao largo da costa do nordeste do Brasil

Um porta-voz da Força Aérea do Brasil confirmou que estão a ser feitas buscas no mar, perto da ilha de Fernando de Noronha, ao largo da costa nordeste do Brasil, embora adiante que a aeronave terá desaparecido já perto da costa europeia.

Um especialista da Infraero, empresa que gere os aeroportos do Brasil, aponta a Ilha do Sal, em Cabo Verde, como local provável do desaparecimento. Declarações à Rádio Globo entretanto contrariadas pelos responsáveis cabo-verdianos.

"Ao que sabemos, o acidente aconteceu próximo da costa do Brasil e completamente fora dos limites do espaço aéreo de Cabo Verde. Nem sequer temos meios para lá chegar, uma vez que o aparelho fazia a tradicional rota incluída na «Fila América do Sul/Europa», sob controlo do aeroporto de Dacar (Senegal)", disse à Lusa Mário Paixão, presidente dos Aeroportos e Segurança Aérea (ASA) de cabo Verde.

 "Aliás, o aparelho nem sequer tinha entrado ainda no espaço oceânico (do Atlântico) coordenado por Dacar, acrescentou Mário Paixão.  O acidente deu-se "muito longe do espaço aéreo controlado por Cabo Verde", fora da "fila América do Sul/África", em que as autoridades aeroportuárias cabo-verdianas, situadas no aeroporto Amílcar Cabral, na ilha do Sal, têm competência.

Um avião da Força Aérea brasileira juntou-se a outros dois que começaram a fazer a rota do airbus da Air France que está dado como desaparecido. Helicópteros e navios da Marinha estão também a patrulhar a zona de jurisdição brasileira. Mas ainda não há vestígios do avião que transportava 228 pessoas, incluindo um bebé.

A Air France confirmou uma comunicação, às 2.14 horas, na qual o piloto referiu um curto-circuito no avião.

O comandante da Aeronáutica do Brasil, George Henri, confirma, ao JN, o contacto do piloto com a torre de controlo, mas afirma que no último contacto estabelecido, às 2.33 horas, "não estava detectado nenhum problema técnico".   

Uma fonte aeroportuária disse "não haver esperanças" de encontrar o avião  e os passageiros com vida. Tese já confirmada pela Air France.

Há cinco passageiros de nacionalidade italiana, segundo a agência italiana Ansa. Também seguiam a bordo três médicos marroquinos, segundo fonte próxima do governo de Rabat, citada pela Agência France Presse. Entretanto, soube-se que há um português entre as vítimas, na maioria de nacionalidade brasileira (60). Há, ainda, 40 franceses e 20 alemães.

Gabinetes de crise no Rio e em Paris

O avião, um Airbus A330, era esperado em Paris cerca das 11.10 horas locais (10.10 em Portugal), mas não há sinais do aparelho.

Em França, foi criando um gabinete de crise, para ajudar os familiares dos passageiros. No Rio de Janeiro foi também criado um gabinete de crise, que começou já a receber os primeiros famuiliares dos passageiros desaparecidos.

No Brasil, apurou o JN, os familiares dos passageiros a bordo começaram já a afluir ao gabinete de crise criado no Aeroporto do Galeão/Tom Jobim.

Os familiares podem solicitar informações através do número 00.33.1.57.02.10.55.

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