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Arte de Carlos Relvas partiu da Golegã e correu Mundo

J. Paulo Coutinho

OMuseu Soares dos Reis, no Porto, acolhe, a partir de hoje, a exposição "Carlos Relvas e a Casa da Fotografia". A mostra é composta por cerca de 450 fotos de um notável fotógrafo amador do século XIX.

À época, foi reconhecido, pelos seus pares, pelo gosto artístico da pose e - do ponto de vista da escolha de luz - pela nitidez e perfeição técnica.

Dezassete anos de inventariação do espólio (encontrado na casa do artista e em diversas colecções particulares), bem como os posteriores tratamento e organização pelo Instituto Português de Museus e pela Câmara da Golegã, resultam nesta exposição, já inaugurada no ano passado, em Lisboa, no Museu de Arte Antiga.

A mostra é constituída por vários núcleos temáticos a que o autor se dedicou a fotografar.

Estão patentes fotos de animais - das quais foi pioneiro mundial -, reprodução de obras de arte, retratos, muitos retratos, auto-retratos, paisagens e os fotogramas do famoso barco salva-vidas, que inventou e lhe deu direito, entre outras, a uma condecoração do Governo francês.

Carlos Relvas, natural da Golegã, filho de pais abastados, culto e, supõe-se, autodidacta, fez da principal actividade a agricultura, nas terras de onde era natural.

Ter-se-á dado o deslumbre pela fotografia na cidade Invicta. Percorreria os mais conhecidos ateliers da Europa, para a aprendizagem fotográfica e das respectivas técnicas, adquirindo os mais avançados e perfeitos aparelhos da época.

Por fim, construiu o seu próprio atelier na Golegã. O espaço é reconhecido como exemplar único de arquitectura fotográfica a nível internacional e tem a natural ambição em se tornar património mundial.

O edifício teve grande impacto na imprensa portuguesa da época, "dado ser pioneiro de uma arquitectura de transição", que "se vê confrontada com novos materiais de construção", como afirma José Pessoa, que, conjuntamente com Vitória Mesquita, é o comissário da exposição.

A estrutura de ferro do atelier, construído de raiz, é parcialmente encoberta pela decoração revivalista.

No átrio, encontra-se as duas câmaras escuras, "batistérios". Uma para o processo de "Collodio" - o seu preferido - e outra para o de "Russell Gordon". Sobe-se para uma sala de espera e exposição, onde finalmente se chega ao grande estúdio.

Aí, uma parafernália de instrumentos, um telhado numa estrutura de ferro e vidro, por onde entra a luz, controlada e suavizada por enormes telas brancas, que ele comandava por fios e roldanas.

À volta, um sem fim de acessórios próprios da altura: telões pintados de paisagens virtuais, mobiliário e um sem número de acessórios fotográficos.

Em Outubro, está prevista uma revitalização da exposição, com a vinda de nomes prestigiados na história da fotografia para debates e colóquios, de forma a recolocar o nome do fotógrafo no contexto europeu e mundial.

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