Durão Barroso vai abandonar o cargo de primeiro-ministro, para assumir a presidência da Comissão Europeia. Para o seu lugar deverá ser designado, ao que tudo indica, Pedro Santana Lopes, vice-presidente do PSD. Uma solução que não passa por eleições antecipadas e já foi debatida com Jorge Sampaio.
O primeiro-ministro estevereunido ontem, ao final da tarde, no palácio de Belém, com o presidente da República - depois de ter efectuado vários contactos com membros do Governo, do PSD e do PS - para conversar com Jorge Sampaio sobre a sua opção.
Hoje é o dia da clarificação desta decisão inédita. Mas o convite formal feito ontem pelo presidente em exercício da União Europeia, o irlandês Bertie Ahern, e o apoio expresso por Jorge Sampaio parecem indicar que estão praticamente reunidas as duas condições exigidas por Durão Barroso para suceder a Romano Prodi. Terça-feira será conhecido o nome do futuro presidente da Comissão Europeia, durante a cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da União.
No plano externo, o primeiro-ministro português reúne consenso. No plano interno, recebeu todo o apoio do presidente da República e terá obtido também a garantia de que este nomeará para a chefia do Governo quem a Maioria designar. Porém, fonte da presidência da República afirma, cautelosamente, que "o presidente está livre" de compromissos com Durão Barroso e irá convocar os partidos para estudar a melhor solução.
Sampaio é favorável a uma solução que não implique dissolver a Assembleia da República. Mas, se não gostar daproposta da Maioria, poderá convocar eleições.
No Governo e no PSD, ninguém esconde as dificuldades de Durão Barroso para gerir a transição. O nome de Pedro Santana Lopes não é totalmente consensual dentro da família social-democrata. E alguns militantes preferem mesmo a escolha da actual ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, número dois do Governo.
Segundo apurou o JN, alguns "santanistas" estão já a pressionar a direcção do partido para que convoque outro congresso, destinado a eleger como novo presidente Pedro Santana Lopes e, em simultâneo, órgãos nacionais renovados.
Henrique Chaves, vogal da comissão política nacional, e próximo de Santana, defende que o "número dois" do partido deve ser o próximo líder e primeiro-ministro. E entende que a solução deve "ser rápida, para bem do país". Chaves disse ao JN que "o melhor será convocar um Conselho Nacional (órgão máximo entre congressos). Quanto à ida de Durão para Bruxelas, considera "fantástico e prestigiante para Portugal".
O "núcleo duro" do primeiro-ministro foi entusiasta da ideia desde a primeira hora. Nuno Morais Sarmento, que deverá sair do Governo, e José Luís Arnaut, que poderá acompanhar Durão na ida para Bruxelas, estão entre os que o incentivaram a aceitar. Mais cépticos foram José Arantes, Miguel Relvas e José Correia.
A direcção social-democrata considera, no entanto, que, uma vez decidida a saída de Durão, Santana Lopes deve ser o sucessor. "Num prazo curto", que lhe permita levar a Jorge Sampaio uma solução governativa "sólida" nas próximas semanas, de modo a que em finais de Julho o presidente da República confira posse ao novo Governo de coligação.
* Com Alexandra Inácio