As crianças portuguesas estão mais gordas e a culpa é da televisão. Um estudo de várias universidades mostra que 31,6% da população infantil tem excesso de peso ou obesidade, colocando Portugal atrás de Itália, onde o problema atinge 36%, e um pouco à frente de Espanha (31%).
Envolvendo as universidades de Coimbra, Évora, Porto e Trás-os-Montes e Alto Douro e o Instituto de Investigação Científica Tropical, o estudo sobre a prevalência da obesidade infantil abrangeu 4511 crianças de várias regiões, podendo ser considerada a amostra mais representativa da população infantil jamais avaliada, segundo a antropóloga Cristina Padez, coordenadora do projecto.
A investigadora não quer fazer futurologia, mas sublinha que, tendo em conta o que tem acontecido com outras populações estudadas, entre 30% e 40% das crianças e adolescentes obesos vão ser adultos obesos se não se adoptarem medidas para inverter a situação.
Entre tais medidas está a limitação ao consumo de televisão/vídeo a períodos não superiores a duas horas por dia, a par da correcção dos hábitos alimentares das crianças e da promoção da actividade física, acentua Pedro Moreira, da Faculdade de Ciências da Nutrição da Universidade do Porto.
É que o estudo, que avaliou a ingestão calórica de 4297 crianças entre os 7 e os 9,5 anos de escolas públicas dos distritos de Vila Real, Porto, Coimbra, Lisboa e Évora, concluiu que o consumo de televisão é o factor de obesidade mais importante.
O incremento de excesso de peso ou o risco de obesidade é duas vezes maior para as raparigas que vêem mais de uma hora de televisão por dia ao sábado e de 1,5 vezes para os rapazes que o fazem mas de duas horas por dia à semana comparando com os que o fazem menos de uma hora, conclui.
Os investigadores não têm explicação para as diferenças, mas Pedro Moreira observa que os rapazes parece manterem hábitos de actividade física, preferindo ir jogar a bola ou andar de bicicleta a sentar-se diante do televisor.
O que lhe parece comprovado é que este meio é não só responsável por períodos de inactividade decisivos e também por estímulos ao consumo de alimentos demasiado ricos em gorduras e açúcares.
A par de erros grosseiros (texto abaixo), o estudo detectou pesos diferentes em crianças com ingestões calóricas semelhantes, o que mostra que as que se mexem mais engordam menos.
Saber mais
Pequeno-almoço
O pequeno-almoço, a que não devem faltar o leite e cereais (atenção ao pão escuro), é refeição obrigatória.
Merendas
A merenda a meio da manhã e da tarde continua muito válida, sobretudo para as crianças que se levantam cedo. Intervalo entre refeições recomendável: 3,5 horas.
Cálcio do leite
As bebidas açucaradas disputam as ricas em cálcio, como o leite (consumo sugerido: 0,5 litros por dia). Uma chávena deste equivale a dois iogurtes ou 30 gramas de queijo flamengo
Balanço correcto
Moderar consumo de alimentos gordos e fritos, preferir peixe e aves, limitar alimentos açucarados, preferir cereais completos e consumir e variar hortofrutícolas.