Tânia Laranjo
Gabriel Catarino, director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, admite reforçar a vigilância nas fronteiras com postos móveis, designadamente no Sul do país, se a análise detalhada aos resultados da reposição das fronteiras durante o Euro 2004 revelar que determinadas portas de entrada são mais cobiçadas para a entrada de ilegais no nosso país.
"Os elementos que recolhemos, para já, demonstram efectivamente que era pelo Sul do país que os ilegais mais entravam. Se da análise mais detalhada que fizermos do período em que foram repostas as fronteiras, entre 26 de Maio e 4 de Julho, nos permitir encontrar algumas tendências, iremos com certeza reforçar os controlos móveis nas fronteiras, para combater a criminalidade", disse, ao JN, Gabriel Catarino, garantindo que contará com a ajuda de outros corpos de polícia.
"Não seria novo. O reforço dos controlos móveis está previsto e naturalmente seria feito com patrulhas conjuntas, contando com a ajuda de outras polícias", adiantou o responsável, garantindo que o maior fluxo de imigração ilegal ocorreu no Sul do país. "Para já, isso é uma certeza. Foi aí que se verificaram mais tentativas de entrada. E poderá ser aí que serão reforçados os postos móveis".
Acordo de Schengen
Gabriel Catarino defende que não se trata de reposição de fronteiras. "É dar resposta às situações que podemos conhecer pela análise dos dados que dispomos. O que defendemos é que, se for preciso, vamos reforçar os controlos móveis, através de um aumento da intensidade, da frequência e de uma localização mais específica".
O director do SEF garante ainda que todas as medidas serão tomadas dentro do espírito do Acordo de Schengen e pretendem controlar a criminalidade transfronteiriça. "O nosso objectivo é evitar a entrada de ilegais em Portugal. Obviamente que é uma acção integrada no combate de outro tipo de criminalidade", sublinhou.
Refira-se, ainda, que os números disponíveis no SEF dão conta de que durante o Euro 2004 foi recusada a entrada, em Portugal, a 7.333 estrangeiros, tendo o maior número de recusas ocorrido no sul do país .
A ausência de vistos e a apresentação de identificação falsa foram os principais motivos de recusa de entradas, por parte dos agentes do SEF.
Dados
Nacionalidade
A maioria dos cidadãos do espaço não comunitário a quem foi proibida a entrada em território português eram romenos, marroquinos e brasileiros
Motivos
O que esteve na origem da recusa de entrada foram ausência de vistos, de documentos de viagem, apresentação de identificação falsa ou falsificada
Números
A reposição temporária das fronteiras permitiu evitar a entrada de mais de sete mil pessoas, em menos de um mês