Hugo Silva
António Pereira não se esquecerá tão cedo da madrugada de ontem. De acidentes provocados por condutores em contramão na auto-estrada só tinha lido notícias em jornais e visto imagens na televisão. Ontem, viveu a experiência na primeira pessoa.
Poucos minutos passava da meia-noite, o maquinista da CP seguia na A3 em direcção a casa, em Braga, depois de mais um dia de trabalho, quando viu a viagem interrompida por um acidente. Um condutor conduzia em contramão na A3 e, apesar de António Pereira ainda ter tentado desviar-se, o embate foi inevitável. Aconteceu ao quilóemtro quatro da A3, perto da ponte sobre o rio Leça, em Águas Santas (Maia).
"Vinha com um colega (António Pinto, 55 anos, acompanhante de maquinista), que a certa altura me disse: 'Olha, vem ali um carro em contramão.' Eu vinha faixa da direita e ainda me tentei desviar. Mas ele também veio para a esquerda e bateu-me do lado do passageiro. A minha sorte é que o meu carro até era forte, um Mercedes, se não tinha morrido. Ainda bem que não havia muito trânsito, podia ser bem pior", disse António Pereira. Que ficou com o automóvel, mesmo forte, sem conserto. O Renault Clio que seguia em contramão, conduzido por um homem de 33 anos, residente em Santo Tirso, também ficou bastante danificado.
Só a colisão travou a marcha do veículo em sentido proibido. Mas antes, a condutora de outro automóvel, que seguia acompanhada pelo marido, já se tinha despistado contra os rails da auto-estrada para se desviar do transgressor. Outros automobilistas conseguiram desviar-se com dificuldade, conseguindo adiar o acidente. "Ele vinha com muita velocidade", recordou António Pereira.
De acordo com informações recolhidas junto da Brigada de Trânsito, suspeita-se que o infractor tenha entrado em contramão na A3 proveniente do IC24, em Valongo. Nesse caso, o condutor terá percorrido cerca de três quilómetros em contramão antes da colisão, que aconteceu numa zona onde a A3 tem apenas duas faixas de circulação em cada sentido.
As razões da manobra proibida ainda estão por apurar, mas António Pereira garante que não terá sido por falta de alerta que o homem não parou a sua marcha proibida.
"Houve um condutor, que ia no sentido Braga/Porto, mas na via correcta, que se pôs ao lado dele a buzinar para ver se ele parava. E mais automibilistas do outro lado da A3 tentaram alertá-lo, sempre a buzinar", referiu António Pereira, que teve de receber tratamento no Hospital de S. João (Porto). António Pinto, que seguia ao seu lado, também sofreu ferimentos provocados por estilhaços dos vidros das viaturas.
O condutor do Renault Clio que provocou o acidente também foi transportado ao Hospital de S. João.