OMinistério da Educação anunciou, ontem, o alargamento do prazo do concurso de afectação e destacamento de professores até terça-feira. Um prolongamento de dois dias que, apesar de ir ao encontro das reivindicações dos sindicatos, não chega para sossegar os docentes que, até ontem, ainda não tinham conseguido apresentar candidatura.
Justificando a extensão do prazo com a elevada afluência registada nos últimos dias, o secretário de Estado da Administração Educativa assegurou, uma vez mais, a abertura do ano lectivo dentro do prazo previsto. "O alargamento em 48 horas é suficiente para resolver os problemas que têm surgido. A colocação definitiva dos docentes, após os pedidos de destacamento e afectação, está prevista para entre 10 e 13 e assim acontecerá", garantiu José Canavarro.
Certezas confirmadas pelos números da tutela, segundo os quais, até às 17 horas de ontem, dos 34 mil pedidos de afectação previstos, já tinham dado entrada nos serviços cerca de 18 mil, enquanto, dos 35 mil pedidos de destacamento estimados, chegaram cerca de cinco mil.
Um optimismo que não chega para descansar os professores, que, por todo o país, continuam a desesperar com a sobrecarga do sistema informático. Durante grande parte do dia de ontem, o site da Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação esteve indisponível.
"Temos professores a tentar entrar no site desde as nove da manhã. É uma coisa incrível", explicou Adriano Teixeira de Sousa, do secretariado nacional da Federação Nacional de Professores (Fenprof).
Situação que leva o dirigente da Fenprof a lamentar o facto de a tutela não ter acatado na totalidade as sugestões apresentadas pela federação. "Este continua a ser um concurso exclusivamente electrónico. Gostaríamos que o Ministério possibilitasse o concurso em formato de papel", explicou.
"A dificuldade no acesso às candidaturas é exasperante", disse Maria Arminda Bragança, da Federação Nacional de Educação (FNE). "Se as candidaturas são exclusivamente electrónicas, o sistema deveria estar preparado para as receber".
A par com o apoio às candidaturas, os sindicatos continuam a ajudar os excluídos das listas a apresentarem recursos hierárquicos. Sem arriscarem um balanço, as estruturas sindicais não duvidam de que são centenas os docentes que já apresentaram recursos e que o continuarão a fazer até à próxima sexta-feira.
Escola desaparece do concurso
A Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Real, já não constava nas listas provisórias de colocação de professores, o que pressupunha que ficariam por preencher cinco vagas. Depois de os professores terem alertado para o erro, foi publicada uma rectificação em "Diário da República". Na terça-feira, no entanto, verificou-se que ninguém tinha sido colocado nas referidas vagas.
Fernando Gomes, presidente do Conselho Executivo, diz-se "perplexo". Tanto mais que o Ministério voltou a desculpar-se com o facto de "a escola não ter enviado as vagas, o que ficou demonstrado ser mentira, daí o aditamento em Diário da República".
Segundo Fernando Gomes, ainda ontem, a Directora Geral dos Recursos Humanos da Educação "contactou a escola, lamentando a situação, assumindo o erro, e garantindo que se vai proceder de imediato à graduação e colocação dos docentes nas vagas". E.O.