Seguia Maria na sua marcha pela auto-estrada Porto-Lisboa quando, de repente, um condutor se abespinhou com a ultrapassagem. Este acelerou e colocou-se novamente na dianteira, abrandando subitamente a marcha. Nisto, um automóvel aparentemente comum destacou-se, acelerou, accionou uma sirene policial. Acabou o "picanço". O condutor cedeu à autoridade que se transportava no interior do carro descaracterizado da GNR e encostou. Maria sentiu-se vingada.
O episódio é tão verdadeiro que nem necessitaria de um testemunho. Todos os dias, a despeito da censura expressa do Código da Estrada, são frequentes os "picanços".
"Quem praticar actos com o intuito de impedir ou embaraçar a circulação de veículos a motor é sancionado com coima de 300 a 1500 euros se sanção mais grave não for aplicável", adverte o artigo 3.º.
Este é um dos comportamentos que mais flagrantemente mostram falta de civismo e risco para a segurança de terceiros que todos os dias incomodam os condutores. Mas há outros. Seguem-se alguns dos mais correntes no quotidiano rodoviário nacional.
O uso de "máximos" para encandear é uma infracção muito grave, penalizada com inibição de conduzir, mas não falta quem se divirta a fazê-lo.
A ultrapassagem pela direita é punida, conforme as circunstâncias, com coimas de 120 a 1250 euros, mas está a tornar-se regra.
A marcha pela esquerda parece também ser agora a norma, mas custaria 120 a 600 euros se fosse efectivamente punida.
Outro hábito em desuso é a sinalização de início de marcha, mudança de direcção ou paragem, cuja falta é (teoricamente) penalizada com coimas de 60 a 300 euros.
Há também quem "paspalhe" na via circulando em marcha demasiado lenta e embaraçando o tráfego, mas pode ser punido com 60 a 300 euros.
Há quem se divirta a arremessar pontas de cigarro ou não se importe de largar latas ou papeis pela janela. Fique a saber que agora incorre numa coima de 60 a 300 euros.
E há quem não se importe com as condições de combustão de motos e liberte mais fumos e gases do que os limites. Fique a saber que pode ter de pagar entre 120 e 600 euros.
Usar faróis de nevoeiro em plena noite de Verão é moda mas incomoda. Custa 30 a 150 euros.
Alfredo Maia
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