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José Leite Pereira

Director Adjunto
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Subdirector
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Um programa que marcou a televisão e que todo o país acolheu com um entusiasmo nunca visto

João Quaresma

Corria o ano de 1969, na chamada "Primavera Marcelista", quando surgiu aquele que, até hoje, ainda é considerado um dos programas favoritos na memória dos portugueses e, claro, dos seus principais protagonistas: Fialho Gouveia, Raúl Solnado e Carlos Cruz. A estes, que davam a cara no pequeno ecrã, podemos juntar ainda Baptista Rosa e o então realizador Luiz Andrade.

A história da televisão tem um lugar cativo para este programa que iria revolucionar o panorama português, tanto televisivo como social, pelas repercussões que teve num tempo em que a censura estava bem activa. O certo é que, durante 11 semanas, como recorda Luiz Andrade: "Quando eles (Zé, Raúl, Carlos) se aperceberam que o 'Zip-Zip' corria o risco de ser censurado, decidiram terminar o programa na 12ª edição. Mas conseguimos emitir estes 12 episódios".

O primeiro convidado, bem especial, foi Almada Negreiros - seguiram-se, entre outros, que nunca tinham ido à televisão, Barata Moura, Padre Fanhais, Cardoso Pires ou Vitorino de Almeida -, e foi a melhor estreia que o programa poderia querer, pois a sua cultura e inteligência, reflectiram-se bem na entrevista que, apesar das respostas com poucas palavras, faziam eclodir as palmas do público. Como interessante consequência os livros de Almada esgotaram na Feira do Livro que decorria na época.

Mas os programas não contavam somente com gente célebre e às pessoas comuns juntava-se um humor fresco e vigoroso e a música, sempre presente, colocava no ar nomes até ao momento impensáveis.

O agora director de programas do canal público recorda que o " 'Zip-Zip' era um sucesso tal que os teatros fechavam à segunda- feira porque não tinham público".

Uma das histórias que comprovam a força deste programa, também contada por Luís Andrade, foi a revelação do presidente da Companhia das Águas de Lisboa de que durante o intervalo do "Zip-Zip" a "descarga de água era brutal, as pessoas iam à casa de banho".

No entanto, recorde-se que o "Zip-Zip" não era só estúdio. Como a criatividade da equipa que fazia um programa inovador e revolucionário não parava. Não raras vezes, saía do Teatro Villaret para, com todos os problemas técnicos que isso colocava, por exemplo, transmitir um jogo de futebol de matraquilhos, ou entrevistar o autor de "Os Lusíadas", ou melhor a sua estátua. Desde o início, o programa foi ter com as pessoas aos locais mais diversos, nas avenidas ou entre as bandas de música.

O "Zip-Zip" revolucionou as noites da televisão, o futuro de muitos programas que viriam a ser feitos, a consciência e as atitudes do público e, mesmo, a relação com os censores.

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