Hugo Silva
Tudo começou com desavenças amorosas, mas terminou com ajustes de contas sucessivos entre dois grupos rivais de seguranças de casas nocturnas. Uma sucessão de confrontos violentos, com agressões e muitos tiros à mistura. A génese do processo, cujo julgamento decorre no Tribunal de S. João, no Porto, remonta aos primeiros dias de Outubro de 1999.
Oito arguidos estão envolvidos, acusados de vários crimes. O líder de um dos grupos (conhecido das autoridades como a família dos "Mariano"), F.P., é acusado de homicídio na forma tentada. O líder do "clã" dos "Vinagre", H.V., é acusado de homicídio qualificado na forma tentada, em co-autoria com mais dois arguidos. É acusado, ainda, de crimes de detenção de arma proibida, ameaças, ofensas corporais e sequestro.
E tudo começou com um desentendimento entre os dois homens tidos como líderes dos grupos rivais, por razões passionais, que envolveram as respectivas namoradas.
Os dois acabaram por confrontar-se fisicamente. Na sequência da zaragata, o líder dos "Mariano" disparou duas vezes uma pistola semiautomática ferindo o rival numa orelha e um vigilante do centro comercial Brasília (Porto), perto do qual se deu a desavença.
Após o incidente, o pai e o tio de F. P. marcaram um encontro com o H.V. para tentar serenar os ânimos. Agendaram a conversa para um restaurante junto ao Palácio de Cristal. Foram separados para o local, mas H.V., acompanhado por cerca de 20 indivíduos, tratou de os agredir. O tio de F. P. foi agredido violentamente e ameaçado com uma arma de fogo.
O pai e o irmão de F. P. foram barrados na Rua de Júlio Dinis, quando seguiam num BMW. O carro foi encurralado por outras viaturas e após vários disparos contra o automóvel foram obrigados a sair. Foram agredidos a soco e pontapé e ameaçados com armas de fogo. Tudo isto aconteceu na madrugada de 16 de Outubro de 1999.
No dia seguinte à noite, F.P. estava com a namorada na Rua de Oslo, na Senhora da Hora, quando surgiram quatro carros, com um grupo no qual estava H.V., que logo disparou contra F.P.. Este ripostou e do tiroteio resultaram ferimentos nos dois "líderes".
Já em Março de 2000, F.P. dirigiu-se a um bar junto ao centro comercial Venepor (Maia) acompanhado de cinco homens, agrediram alguns dos elementos que tinham participado nos ataques de que tinha sido alvo ele e os seus familiares.