Os dirigentes de 23 associações nacionais de estudantes universitários, ontem reunidos em Coimbra, prometeram mobilizar grande número de alunos para a manifestação nacional agendada para o próximo dia 4, em Lisboa. "Neste encontro foi precisamente reiterada a necessidade de fazer chegar a informação de forma massiva aos estudantes", afirmou Miguel Duarte, presidente da Associação Académica de Coimbra, adiantando haver, neste momento, "a consciência de que a manifestação irá correr bem".
A reivindicação dos estudantes, segundo este dirigente, "há muito deixou de ser sectária para ser global". O objectivo da manifestação é precisamente "envolver todos os portugueses", levando-os a colocar algumas questões, nomeadamente: "onde está o bem público, o desenvolvimento do país e o Estado social?".
Com a nova lei, "estão precisamente em causa os conceitos da democracia, da democratização e do desenvolvimento do país". Referindo-se em concreto à nova lei da autonomia, considera que "põe em causa o Estado de Direito", ao "acabar com alguns órgãos democráticos, nomeadamente os conselhos directivos".
Por outro lado, acrescenta Miguel Duarte, a democratização do Ensino Superior "entra em choque com a lei do financiamento, pois somos dos países mais atrasados, temos os vencimentos mais baixos e somos aquele em que as famílias mais contribuem para o Ensino Superior ".
Já no que respeita à acção social, Miguel Duarte diz que as últimas declarações do secretário de Estado "foram no sentido de substituir bolsas por empréstimos, o que faz prever que algo de grave se vá passar".
Estas são as principais reivindicações dos estudantes que, no próximo dia 4, pelas 14.30 horas, se irão concentrar na cidade universitária, seguindo, a partir daí, a manifestação o trajecto habitual até à Asembleia da República, como ficou ontem decidido.
Os conteúdos estão definidos, agora "caberá a cada associação arranjar formas de mobilização dos alunos". O movimento associativo, sublinha Miguel Duarte, "deve ter a perspectiva de que este caminho se faz caminhando".
Outro dos pontos da agendadeste encontro nacional era a análise dos incidentes registados em Coimbra, entre estudantes e elementos da PSP, quando um grupo tentou invadir a reunião extraordinária do senado. De acordo com Miguel Duarte, todos se revelaram solidários e consideraram que se tratou de "um grave retrocesso na Universidade autónoma e democrática".