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Gelo do Árctico poderá derreter-se no fim deste século

O gelo do Árctico está em risco de desaparecer completamente no fim do século caso não diminuam as emissões de dióxido de carbono (CO2), adverte um estudo que será publicado na íntegra na próxima semana.

O fenómeno será responsável pela subida do nível dos oceanos e pelo provável desaparecimento de espécies como o urso polar.

"Não há dúvidas de que estão a surgir alterações climáticas no Árctico e de que estas alterações ocorrerão mais rápida e intensamente se o planeta não reduzir as suas emissões de CO2", afirmou o Fundo Mundial para a Natureza (WWF na sigla em inglês) ao divulgar algumas conclusões do relatório.

Realizado por mais de 250 investigadores a pedido do Conselho Árctico, o estudo - o mais pormenorizado até agora efectuado sobre a questão - apresenta vários cenários que auguram, com base no ritmo actual, o provável desaparecimento do gelo árctico, no período do Verão, no final do século XXI.

A divulgação na íntegra do documento está prevista para segunda-feira próxima.

Combinado à fusão dos glaciares e da permafrost (camada de solo quase impermeável impregnada de gelo), a fusão do Árctico poderá fazer subir um metro o nível dos oceanos, afectando o habitat de cerca de 17 milhões de pessoas, sublinha o WWF.

O fenómeno abrirá uma "passagem norte" ao tráfego marítimo entre os oceanos Pacífico e Atlântico, bem como novos espaços para a pesca e a exploração mineira.

A fusão do gelo da Gronelândia, que deverá demorar várias centenas de anos, deverá aumentar em sete metros o nível das águas.

Por outro lado, o desaparecimento do gelo do Árctico é também susceptível de provocar o desaparecimento de certas espécies de peixes e mamíferos.

"O urso polar poderá desaparecer completamente até ao fim do século. Terá poucas hipóteses de sobreviver se o gelo estival se reduzir drasticamente", precisou o WWF.

Os oito países do Conselho do Árctico - Estados Unidos, Canadá, Rússia, Japão, Finlândia, Suécia, Islândia e Noruega - são responsáveis, por si sós, por cerca de 30 por cento das emissões humanas de CO2, segundo o WWF.

"Temos de reduzir as emissões de CO2 já a partir de hoje", declarou à agência AFP Samantha Smith, directora do programa árctico do WWF. "A rapidez e a intensidade do aquecimento da atmosfera podem ser limitadas" pela redução dessas emissões.

Embora a Rússia tenha decidido no mês passado ratificar o Protocolo de Quito sobre a redução das emissões dos gases com efeito de estufa, permitindo assim a entrada em vigor do documento, os Estados Unidos continua a recusar-se a fazê-lo.

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