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RFI quer acabar com o Português

Orlando Castro

ADirecção da Rádio France Internacional (RFI) está a estudar a hipótese de acabar com o seu serviço em Português para África. "A ser verdade é muito preocupante", afirma Maria Helena Costa, assessora da CPLP, garantindo "que, se tal se confirmar, os órgãos directivos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa tudo farão para evitar a sua consumação".

A tese da Rádio France fundamenta-se numa maior aposta no Francês, Árabe, Chinês e Inglês. O próprio presidente da rádio afirmou publicamente que "o Português não é uma prioridade", e o ex-director geral de Informação (demitido por afirmar que Israel era um país racista) avançou com a tese de que, "tendo acabado a guerra em Angola, já não se justifica uma emissão em Português".

Embora sem confirmação focial, o JN sabe que essa questão será abordada na próxima reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa com a sua homóloga francófona que, em breve, terá lugar em Paris.

Enquanto Maria Helena Costa salienta que "o trabalho da RFI tem sido de grande mérito para os cinco países lusófonos de África, bem como para as comunidades portuguesas no continente, nomeadamente na África do Sul, Luís Cunha (assessor do Ministério dos Negócios Estrangeiros) limitou-se a dizer "que não tem comentários" porque o Governo português "desconhece" a intenção de a RFI acabar com as emissões em Português.

O serviço em Português (uma das 19 línguas em que emite a RFI) para África é de duas horas diárias e dá relevo especial às questões luso-africanas, nas vertentes políticas, económicas, sociais e culturais, sem esquecer o desporto, mas também informa sobre os aspectos mais relevantes da política francesa e internacional.

Na redacção em língua portuguesa da RFI trabalham cerca de 15 pessoas, entre jornalistas, assistentes de estúdio e pessoal administrativo. Além disso, conta com a colaboração de uma dezena de correspondentes espalhados pelos países da CPLP, para além dos EUA e Bélgica.

Como reconhece a CPLP, a RFI tem dado uma "excelente contribuição para a implantação da democracia nos países lusófonos de África onde, aliás, a rádio é um dos principais meios de comuncação."

O JN tentou também ouvir a Direcção da Rádio France, mas, até ao fecho desta edição, não obteve qualquer resposta.

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