Investigação ao Efisa foi forjada ao pormenor
Teresa Sousa, técnica superior principal do quadro de pessoal dos Serviços de Apoio Técnico e Administrativo da Procuradoria-Geral da República, foi acusada pelo Ministério Público de seis crimes (corrupção, extorsão, violação de segredo de justiça e falsificação de documentos), num processo onde é acusada de ter desviado ou falsificado informação alegadamente confidencial.
Uma das situações diz respeito ao Banco Efisa e a uma tentativa de extorsão que Teresa Sousa e o seu companheiro pretendiam levar a cargo. Só não o conseguiram porque entretanto foram presos.
Nesse caso, tudo parecia ter sido pensado ao pormenor. Chegou a ser feito um dossiê, todo ele falso, que foi classificado como confidencial, onde foram falsificados despachos de Cândida Almeida, directora do DCIAP, e Agostinho Homem, vice-procurador-geral da República. O dossiê, que tinha um carimbo oficial, chegou a ter um número de série e recebeu uma pasta cor-de-laranja, própria para documentos confidenciais.
Decorriam ainda tais contactos quando Teresa Sousa recebeu, na PGR, o documento da Inspecção-Geral de Finanças, esse autêntico, que dava conta de diversas irregularidades que envolviam a empresa Euroamer, propriedade de Artur Albarran. Teresa e o seu companheiro terão então decidido concentrar a sua atenção no ex-jornalista, que teria de pagar 100 mil euros para ter acesso a todo o processo. Ainda segundo o JN apurou, a investigação veio depois a verificar que o preço disparou para 300 mil euros, quando uma advogada amiga de Albarran foi chamada para intermediar o negócio. Nesse caso, a diferença de valores reverteria para a advogada e para outro sócio.
A acusação dá ainda conta de uma terceira tentativa de extorsão, a um casal de empresários, que negociava ouro e antiguidades. Mais uma vez, foi falsificado um processo, mas os visados não acederam a pagar qualquer quantia.
Além de Teresa Sousa, há mais três pessoas acusadas no mesmo processo.
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