António Madureira, juiz conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo e vice-presidente do F.C.Porto, foi apanhado nas escutas telefónicas feitas a Valentim Loureiro, presidente da Câmara de Gondomar, quando pedia que o seu filho fosse colocado na Câmara como professor de Educação Física.
O contrato de prestação de serviço entretanto feito com o jovem professor é de legalidade duvidosa. O documento foi apreendido a semana passada pela Polícia Judiciária, no âmbito do processo "Apito Dourado".
O JN sabe que quando os investigadores se dirigiram à autarquia já iam com a indicação clara de que pretendiam apreender aquele contrato. Foram ainda apreendidos outros cinco documentos idênticos, nos quais as autoridades suspeitam que tenha havido intervenção de Valentim Loureiro, para que os funcionários fossem admitidos. Na maioria dos casos, não havia sequer lugar a concurso público para admissão dos empregados, e mesmo quando havia já se sabia, à priori, quem seria o vencedor.
Refira-se, ainda, que o juiz António Madureira já há muitos anos que tem ligações ao futebol, desde o tempo em que exerceu funções no Conselho de Justiça da Federação, designado pela Associação de Futebol do Porto. O magistrado foi ainda o autor do guia jurídico sobre o fenómeno desportivo.
O JN tentou entretanto ouvir António Madureira, que não quis prestar declarações.
Oliveira deve ser libertado
José Luís Oliveira, ex-vice-presidente da Câmara e ainda em prisão domiciliária, deverá ser hoje libertado. A proposta de alteração das medidas de coacção deverá ser feita pelo próprio magistrado do Ministério Público que, conforme o JN já noticiou, negociou com Oliveira a libertação imediata.
O ex-autarca aceitou assim suspender o seu mandato até Junho (num pedido entregue na Câmara na sexta-feira passada), renunciando então ao cargo, já que se manterá suspenso por mais de um ano .
Em contrapartida, o Ministério Pública irá propor a sua libertação, deixando assim de ter qualquer réu preso no âmbito do processo e podendo ultrapassar todos os prazos previstos na lei. O acordo entre o MP e Oliveira previa que a libertação acontecesse hoje.
O aparente "negócio" entre defesa e acusação apanhou de surpresa os restantes arguidos, que agora terão dificuldades acrescidas para se defenderem. Além disso, continuam com as medidas de coacção aplicadas, até à conclusão do inquérito, agora sem qualquer fim à vista.