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Atrasos no pagamento do abono de família

Lucília Tiago

Opagamento do abono de família relativo a Dezembro está atrasado em alguns centros de Segurança Social do país. O JN sabe que há famílias que costumam receber o cheque da Segurança Social até ao dia 25 e que este mês, pelo menos até ontem, ainda não o tinham recebido. Dificuldades de tesouraria explicam o atraso. Em declarações ao JN o secretário de Estado da Segurança Social referiu, no entanto, que os abonos já foram todos processados e que os pagamentos ainda não efectuados o serão durante esta semana.

De acordo com o secretário de Estado Marco António Costa, o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social já processou o pagamento de todos os abonos, havendo centros distritais, como o do Porto, que já pagaram a totalidade deste subsídio.

Marco António Costa precisou que há situações de atraso que se devem à não entrega dos documentos exigidos legalmente para a fixação do valor do abono. Nas restantes situações, precisou que quem ainda não tenha recebido o respectivo cheque, recebê-lo-á antes do final do mês.

A informação surge no mesmo dia em que o Ministério da Segurança Social desmentiu a notícia segundo a qual teriam sido dadas instruções para suspender o pagamento dos subsídios de doença e desemprego que deveriam ser efectuados nos últimos dias deste mês.

O atraso serviria para "aliviar" a execução orçamental deste subsector em 2004,"transferindo" para 2005 aqueles encargos. O Ministério das Finanças também negou a notícia, ao mesmo tempo que os partidos da Oposição e sindicatos se multiplicavam em reacções de condenação ao Governo e o PSD convocava os jornalistas para tomar posição sobre a polémica.

Numa nota emitida ontem, o gabinete de Fernando Negrão "desmente categoricamente" ter dado a ordem de suspensão. Apesar deste desmentido oficial, sindicatos e partidos políticos condenaram a alegada atitude do Governo. João Proença, da UGT, diz ser "inaceitável" que o défice seja pago "pelos que estão doentes e desempregados". Carvalho da Silva, da CGTP, lamentou que "sejam os trabalhadores a fonte que o Governo recorre para resolver problemas de má gestão".

O PS decidiu enviar um requerimento ao primeiro-ministro a pedir explicações. Já o Bloco de Esquerda manifestou a sua "profunda indignação".

O PSD, por seu turno, criticou a apetência para a divulgação de notícias "não verdadeiras" em período pré--eleitoral.

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