Valentim Loureiro, presidente suspenso da Liga de Clubes, foi apanhado em conversas consideradas suspeitas com Luís Filipe Vieira (presidente do Benfica e da SAD benfiquista), José Veiga (director da SAD do Benfica) e José Eduardo Bettencourt (ex-administrador da SAD do Sporting). As conversas foram transcritas no âmbito do processo "Apito Dourado".
As sessões foram anexadas aos autos por decisão da juíza do Tribunal de Gondomar, Ana Cláudia Nogueira, que considerou serem relevantes para a investigação dos crimes de corrupção desportiva e ordenou à Polícia Judiciária que procedesse à respectiva transcrição.
Os dirigentes foram depois ouvidos no âmbito do processo, desconhecendo-se a qualidade em que foram inquiridos. Não há, portanto, indícios de que venham a ser acusados de qualquer crime, embora seja certo que falaram com Valentim Loureiro a propósito de árbitros e de determinados jogos, em que as suas equipas estavam envolvidas.
O JN sabe, ainda, que o caso de Valentim Loureiro não é único. Pelo menos relativamente a Pinto de Sousa, ex-presidente da Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, também existem conversas onde os interlocutores foram dirigentes de clubes da SuperLiga da região Sul. As mesmas conversas foram transcritas por ordem da juíza, que as considerou relevantes para a investigação.
O JN ouviu, entretanto, os responsáveis de comunicação do Sporting e do Benfica, que recusaram dar qualquer explicação, alegando desconhecerem o que estava em causa. Cunha Vaz, director de comunicação do Benfica, garantiu mesmo que Luís Filipe Vieira nunca foi ouvido, enquanto disse não ter conhecimento de que José Veiga tivesse sido confrontado com qualquer conversa com Valentim Loureiro. Por sua vez, Maurício do Vale, director de Relações Públicas do Sporting, disse não ter conhecimento de nada "Se José Eduardo Bettencourt tivesse sido ouvido no âmbito do processo, tal teria sido noticiado. Não vamos tomar posição para já".
Atraso no recurso
Valentim Loureiro está cansado de esperar que o seu recurso às medidas de coacção suba para a Relação do Porto. Por isso, anteontem, o seu advogado entrou com um requerimento ao Tribunal de Gondomar, interpelando a juíza sobre a demora e exigindo que lhe fossem fornecidas as datas precisas relativas às várias fases do recurso.
Recorde-se que Valentim Loureiro recorreu das suspensões de funções (da Liga e do Metro do Porto) no Verão de 2004, mas o caso ainda não foi apreciado pelos juízes desembargadores. O JN sabe que o primeiro atraso deveu-se ao facto de Ana Cláudia Nogueira ter começado por recusar pronunciar-se, alegando que já teria passado o prazo, só o tendo feito depois da Relação a isso a ter obrigado. Nessa altura, a juíza disse que os indícios dos crimes de corrupção desportiva imputados a Valentim Loureiro não eram fortes, mas sim suficientes, mantendo as medidas de coacção.
Valentim voltou a recorrer, mas o recurso está depositado no Tribunal de Gondomar, sem que seja enviado para a Relação do Porto.
*com Susana Otão
Das cerca de 15 mil chamadas interceptadas a Valentim Loureiro, houve cerca de uma centena que foi transcrita