Concorreu porque quis pôr no papel uma ideia que vinha amadurecendo na cabeça. Ganhou. A ideia, afinal, é boa e vale dois mil euros.
João Moreira Pinto, estudante de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, era, ontem, um cidadão feliz. Mas também um homem preocupado com a má qualidade do ar, "verdadeiro factor de risco médico" para quem vive no Porto.
A proposta foi analisada pela Lipor e pela Escola Superior de Biotecnologia do Porto, lado a lado com outros dez trabalhos concorrentes na vertente "Pensar o Grande Porto/ Reflectir sobre a região dos problemas às soluções". Ficou em primeiro lugar. O prémio foi ontem entregue.
Curiosamente, também foi no ar que a Fundação Fernando Pessoa, segunda classificada no concurso, se inspirou para o seu trabalho. Duas alunas e um professor atiram culpas ao tráfego rodoviário e apelam à redução da circulação do transporte individual como solução para se respirar melhor. A ideia, igualmente boa, valeu 1000 euros.
Maior participação
João Moreira Pinto não esconde que tenta cumprir um dos objectivos que originou o concurso, integrado no Plano Estratégico de Ambiente "Futuro Sustentável" ter espírito de cidadania e contribuir para um melhor ambiente.
Mas diz que a sua visão é apenas "a de um estudante de Medicina" que deseja uma maior participação de alunos na sociedade. "Representam uma camada da população inventiva que pode e deve ter um papel fundamental na construção de um mundo melhor", alega.
Daí considerar importante, na proposta que apresentou, a cooperação entre universidades, entidades municipais e empresas. Tão importante que terão de ser parceiros num grupo coordenador com vista a conseguir um plano estratégico de ambiente para o Grande Porto.
As vantagens seriam muitas. A principal prende-se, logicamente, com a melhoria do ar que se respira no Porto, através de projectos que vão de estudos epidemiológicos até à sensibilização da população. E os custos reduzidos que a proposta apresenta são igualmente aliciantes.
"De uma forma realista, verifica-se que, apesar das medidas que vão sendo tomadas para melhorar a qualidade da atmosfera na cidade, continuamos com muitos poucos dias em que temos bom ou muito bom ar para respirar", sustenta João Moreira Pinto. Os dados oficiais não revelam grandes mudanças ano passado, houve 112 dias com valores médios a fracos, registados pelas 18 estações de medida de qualidade de ar.
"A Lipor tem tido a preocupação de envolver cidadãos nas questões ambientais, estimulando a participação na resolução de problemas", disse, ontem, ao JN, Guilherme Pinto, da administração da empresa, responsável pela recolha e tratamento de resíduos urbanos em oito dos nove concelhos da Área Metropolitana (Gaia está fora).
"No concurso "Pensar o Grande Porto", a Lipor premiou, mas também foi premiada, porque aproximou-se mais dos cidadãos e conseguiu uma relação de compromisso de quem trabalha no ambiente", acrescentou Guilherme Pinto.