Igreja e Governo em rota de colisão
Dezenas de pessoas foram impedidas de entrar em Díli onde queriam participar hoje na manifestação organizdada por sectores ligados à Igreja. Entre as cerca de 200 pessoas estavam quatro freiras, três padres e dois seminaristas.
A iniciativa "Manifestação Pacífica" tem vindo a ser referida há dias como iminente e pretende tomar posição contra o plano experimental pedagógico que visa retirar à disciplina de Religião o actual peso curricular que detém, passando a facultativa.
Numa improvisada conferência de imprensa, os padres Agostinho Jesus Soares, vigário episcopal para a Justiça Social, e Zairos, adjunto daquele, explicaram que a proibição de entrada em Díli foi comunicada pelo Comandante da Polícia alegando a eventual presença de provocadores.
A tentativa de realização desta manifestação culmina cerca de dois meses de "diálogo de surdos" entre a Igreja e o Governo, com troca de Notas Pastorais e comunicados.
Numa Nota Pastoral distribuída ontem, a hierarquia da Igreja timorense critica as "democracias marxistas de modelo chinês ou terceiro-mundista retrógrado", numa alusão ao Governo do primeiro-ministro Mari Alkatiri.
A Nota Pastoral diz que a Igreja não acredita em "marxistas convertidos à pressa" e que é partidária de uma "verdadeira democracia que garanta a implementação do Estado de Direito, no quadro da separação de poderes garantida pela Constituição".
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