Burlas é com portugueses
"Eu tenho mais medo de vigarices em Portugal do que aqui." António Martins dos Santos trabalha na construção civil há mais de 20 anos. Nos últimos oito meses tem estado numa obra em Ourense. Ocupa-se de empreitadas na Galiza e no Norte de Portugal e já teve más experiências.
"Com portugueses, já fui burlado muitas vezes. Os espanhóis costumam ser correctos", admite. Fala da concorrência desleal que os empreiteiros ilegais constituem para quem trabalha "dentro da lei". "Quem não paga impostos nem faz descontos para a Segurança Social, ou não tem seguro, pode fazer preços mais baixos. São esses que estragam a vida a quem trabalha legalmente", lamenta.
"Os patrões, aqui, costumam pagar a 60 dias, mas nós temos de pagar os salários e cumprir com as obrigações todos os meses. É preciso ter cabeça para gerir o negócio", sublinha António Martins dos Santos.
Não admira que sucedam os casos de empreiteiros que fogem quando recebem, deixando os trabalhadores completamente desesperados e sem meios para fazer justiça. "Em Espanha, não faltam obras para se trabalhar. Fogem de Vigo e vão para Lugo ou para Madrid. É quase impossível apanhá-los", explica.
À impunidade soma-se a facilidade de angariar mão-de-obra submissa e disponível para trabalhar na clandestinidade, sem direitos, regalias ou as mínimas condições de segurança. Basta acenar com um salário superior ao auferido em Portugal para se arranjar quem pactue com um sistema marginal , mas lucrativo para muita gente.
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