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Escritores defendem latim em vez de inglês

Pedro Antunes Pereira

Apromoção do inglês em detrimento do latim foi severamente criticada por dois escritores portugueses, ontem, em Braga, na segunda edição dos colóquios sobre literatura portuguesa contemporânea. O escritor Mário de Carvalho é um dos críticos desta opção de ensino "O lixo literário em Portugal é abundante, não só escrito em português mas também traduzido de outras línguas. Há uma amputação da literatura clássica nos novos escritores. Hoje em dia, associa-se Virgílio e Horácio a personagens de novela". Para o premiado autor luso, "mais do que promover o inglês devia-se promover o latim", porque "muitos deles ainda não se aperceberam que têm 700 anos de literatura por trás e têm que mostrar que estão à altura" desse legado.

A própria Igreja mereceu reparos por parte de Mário de Carvalho "O concílio Vaticano II, ao acabar com as missas em latim, não só cometeu um erro como contribuiu para o desprestígio da língua". O poeta Fernando Echevarria é ainda mais caústico relativamente a esta questão: "É absolutamente indecente, intelectualmente falando, que os ministros da educação não façam nada pelo latim, porque daqui a bocado estamos todos a falar inglês". E vai mais longe: "Não se pode conhecer uma língua se não se conhece de onde ela provém". E dá o exemplo de Inglaterra: "Além de estarem a publicar os clássicos na língua original, juntam explicações e recensões em latim".

Os outros dois participantes têm sobre a matéria ideias diferentes. Fernando Pinto do Amaral sustenta que "o inglês deve ser tomado como língua instrumental, como ferramenta; o latim deve ser aprendido numa fase já mais avançada no secundário mas com o enquadramento histórico respectivo". O poeta reconhece que "muitos dos erros gramaticais que se dão na escrita de hoje seriam menorizados se o conhecimento do latim fosse efectivo".

Inês Pedrosa considera as opiniões de Mário de Carvalho e Echevarria como "reacções sentidas ou puramente desatentas" já que, na sua perspectiva, "há bons e novos autores portugueses, como por exemplo Gonçalo M. Tavares, onde se nota leitura desses clássicos". Sobre a aprendizagem do latim considera ser "a matemática das letras", mas não se deve "misturar as coisas".

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