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Batalha pela posse do santo

"Não há nenhuma festa de S. João como esta", assegura Paula Ferreira, que reside em Valongo há 12 anos, e aprendeu a valorizar a Festa da Bugiada que, anualmente, é celebrada na vila de Sobrado, no dia 24, mobilizando a esmagadora maioria da população local.

Este ano, serão mais de 700 as pessoas que fizeram questão de integrar, como actores e foliões, o evento. O público existe em número maior multiplica-se e espalha-se, efusivo, por todos os lugares da vila.

Longe de nutrir pelo cumprimento do ritual, ilustrado pela batalha dos Mourisqueiros contra os Bugios, a mesma "devoção" que o marido, Joaquim Lobo, Paula destaca o que mais a impressiona "Isto é a verdadeira festa do povo. Todos os anos tem mais gente. E a juventude que, geralmente não adere às tradições, é a primeira a não deixar morrer a festa".

Tiago, 13 anos, é a prova. Mascarado e vestido com o rigor do veludo colorido, castanholas na mão, prepara-se para combater os mouros. "Andamos aqui, porque eles roubaram o S. João e querem prender o rei, que está inocente. Nós temos que o defender e recuperar o santo, pedindo-lhe que faça um milagre", conta, fazendo referência à lenda, sobre a qual não existe qualquer documento escrito, mas que foi passando de geração em geração, e dá o mote à festa.

"A Bugiada existe desde que eu me conheço", sublinha, eufórico, Amaro Leal, 68 anos, que noutros tempos também integrou "a luta das nações", mas hoje prefere ser, apenas, espectador. "Estar aqui, também é uma forma de participar".

Além da guerra dos mouros contra os cristãos, três outros momentos marcam a festa o teatro que traduz uma sátira à vida local, o ritual inverso da lavra da praça, a dança do cego.

Verdadeiro milagre de S. João

De cinco em cinco anos, faz questão de ser o juiz da festa da Bugiada, patrocinando-a. Generoso Ferreira das Neves, 76 anos, natural de Valongo emigrado no Brasil, regressa a casa a cada S. João para lhe agradecer o milagre concedido em 1992. "O meu filho Cassiano tinha sido sequestrado no Brasil. Eu estava em Paris quando recebi a notícia. Fiquei desesperado e pedi muito ao S. João para que o meu filho fosse devolvido são e salvo, como acabou por suceder", relata no . A partir daí, Generoso nunca mais deixou de estar presente no S. João de Sobrado. "Há 20 anos que faço questão de estar presente nos festejos, mas desde 1992 a minha devoção aumentou", confessa.

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