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Santana lança recados a "críticos internos"

Miguel Gonçalves

O presidente da República, o líder do PS e os "críticos internos" do PSD foram os grandes alvos de Pedro Santana Lopes no comício que os sociais-democratas promoveram, ontem, em Coimbra, e que, apesar de ter começado com mais de hora e meia de atraso, fez encher por completo o auditório da Reitoria.

Santana Lopes começou por fazer um ultimato a José Sócrates por causa dos socialistas se recusarem a participar em debates com o candidato do PSD a primeiro-ministro.

"É um atentado, uma vergonha para a democracia portuguesa que o líder de um dos maiores partidos, candidato a primeiro-ministro, venha dizer que não debate e quer que eu vá debater com os partidos que não estão a competir directamente comigo", disse o líder do PSD, argumentando que "isso só demonstra que eles têm medo" [ler pág. 12].

"Sabem o que é que as criancinhas dizem, na escola, aos colegas que não querem entrar nos jogos? Chamam-lhes um nome...", afirmou Santana Lopes.

O presidente do PSD aproveitou a "deixa" para criticar Jorge Sampaio "Porque é que o presidente da República recebe um comentador político [Marcelo Rebelo de Sousa] e faz disso um caso nacional e, agora, não chama o líder do PS, uma vez que ele se recusa a dialogar. Se quer ser coerente, tem a obrigação de chamar José Sócrates. Passar a vida a apregoar coerência e, depois, não a materializar na prática é muito feio...".

Mas o ataque a Sampaio não se ficou por aqui Santana Lopes pegou, ainda, no exemplo da Ucrânia para dizer que, "lá, os resultados foram falseados, mas o povo, corajoso, bateu o pé. Aqui, condiciona-se a vontade das pessoas, há jogo falseado, manipula-se". Por isso, o líder dos sociais-democratas apelou à união da família "laranja" e deixou um aviso aos portugueses: "Parem e pensem no 'day after'. Querem aquela equipa (PS) de volta? Sabem quem manda lá? Aqui, sou eu que decido a equipa ministerial. No PS, não sei se é Sócrates ou António Vitorino. Aliás, apetecia-me, até, convidar Vitorino para participar comigo nos debates".

O presidente do PSD não perdeu a oportunidade de ter à sua frente alguns ministros, secretários de Estado, deputados e muitos autarcas, para enviar recados internos "Não há nada pior que é dentro do partido andarem a lançar coisas para os jornais. Não admito a ninguém que sabote a nossa luta. Quem quiser fazer parte do nosso 'Exército', deve alistar-se agora e vir para o combate. Não é depois de termos ganho. Nessa altura, a hora já será tardia".

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